POR ROBERTO VIEIRA
44.424 pagantes.
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18 de abril de 1983.
Fora os penetras.
Para presenciar uma das partidas mais dramáticas da história do futebol.
Voltando no tempo, o jogo Santos 7x6 Palmeiras no dia 6 de março de 1958.
Saldo de 5 torcedores mortos.
Um recorde.
Mas quantos faleceram neste dia 17 de abril de 1983 não se sabe.
Incontáveis foram socorridos. Oito foram levados para emergências cardiológicas.
Muitos nunca foram vistos novamente.
O Náutico formou com Pimenta; Vilson, Zé Eduardo, Ivan e Albéris; Lourival, Manguinha e Baiano; Ademir Lobo, Mirandinha e Zé Ronaldo.
O Palmeiras que gastou fortunas montando um supertime que reconquistasse o título brasileiro vinha treinado por Rubens Minelli escalando João Marcos; Perivaldo, Luís Pereira, Nenê e Marcio; Batista, Cléo (Enéas) e Carlos Alberto; Jorginho, Seixas e Baroninho.
O juiz foi o árbitro da final da Copa de 82 Arnaldo César Coelho.
O primeiro tempo assistiu ao domínio alvirrubro.
Numa falha da linha de impedimento do Palmeiras, Baiano aproveita e marca 1x0!
Então começa um pequeno dilúvio sobre o Arruda.
O campo pesado no segundo tempo torna o jogo uma batalha inesquecível.
O Palmeiras cerca.
O Náutico resiste bravamente e contragolpeia fulminante.
Luís Pereira habita a grande área alvirrubra.
Mirandinha dribla seguidamente Nenê.
E tome sarrafo.
A multidão grita. Depois se cala.
Então vem o primeiro ato do drama.
Mirandinha é lançado em velocidade.
Dribla Nenê pela enésima vez no ano.
Na corrida finta o goleiro João Marcos e quando a torcida já comemorava ele hesita e quando chuta em gol o arqueiro consegue se recompor e fazer a defesa.
A multidão vocifera: BURRO! ANIMAL! LOUCO!
Alguns torcedores saem desmaiados.
O Palmeiras volta ao ataque.
Os minutos passam.
A torcida silencia.
De repente Mirandinha é lançado em velocidade.
Dribla Nenê pela centésima-enésima vez no ano.
Na corrida finta o goleiro João Marcos e quando a torcida já comemorava ele hesita e não chuta.
Caminha lentamente como se estivesse na praia.
Arrasta-se lentamente em 'slow motion' na direção do gol.
Os torcedores ajoelham e imploram:
CHUTA! MARCA! PELO AMOR DE DEUS!
Mirandinha está surdo.
Quando se aproxima da linha do gol ele enfia o pé na bola e estufa as redes: 2x0!
DEUS! GÊNIO! SANTO!
Perdi as contas de quantas pessoas foram socorridas em minha volta.
Nem me lembro bem do terceiro gol do Náutico que venceu por 3x0.
Mas de vez em quando eu revejo a foto.
O olhar de Nenê estatelado no chão.
A torcida em pé.
Quem não morreu naquele dia pode ficar tranquilo.
De coração não morre nunca mais...
* Originalmente publicado no velho Blog do Roberto em 2007

Fantástica ilustração do Pelestra-Timbu: Rinaldo, Ivan Brondi, Divino Vasconcelos, Jorge Mendonça (que somente ele via o que ele via dentro da área), Mirandinha. Dispensa comentários.
ResponderExcluirVivo a procura de vídeos desse jogaço.
ResponderExcluirMestre, estava neste jogo! Lembro do último gol de Mirandinha. Ele recebeu na linha do meio de campo e disparou. Em velocidade, se não me engano, deu o drible da vaca no goleiro e marcou o terceiro. Tinha 18 anos e estava na arquibancada superior do Arruda. Inesquecível...
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