Por ROBERTO VIEIRA
Pra saber se alguém escreve boa literatura ou lixo.
Basta fazer o que se faz com um bom vinho tinto:
aguardar o julgamento do tempo.
Neste final de semana peguei 'O Diário da Corte' do Paulo Francis pra ler.
Ou melhor, reler, pois grande parte do material li na época.
É até embaraçoso pois o autor se achava o máximo.
O tampa de crush.
Mas não era.
Era apenas pernóstico, racista e polêmico.
Polêmico como aqueles polêmicos abstratos do século XIX e XX.
Brigando por nada, sobre nada e para nada.
Paulo Francis envelheceu.
Envelheceu ao ponto de se tornar risível.
Um polemista que errou na dose e errou no país.
Deveria ter nascido americano.
Mas... e sempre existe um mais.
O texto 'Nelson Nunca Foi um Intelectual!' se salva.
Mostrando o quanto Paulo Francis podia escrever.
Quando não se importava com a cor da pele dos garçons.

Li as crônicas, uma a uma, do "Diário da Corte" nas páginas da Ilustrada de a Folha de São Paulo das quintas-feiras compradas somente pra isso. Depois, li e reli mais de uma vez, encadernadas na edição do livro que comprei e nem sei mais por onde anda (se soubesse, ia ler outra vez!). Devo muito a Paulo Francis. Com ele aprendi a pensar melhor o mundo e a escrever o que pensava como se estivesse conversando com o leitor. Por onde anda meu "Diário da Corte"?
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