Por ROBERTO VIEIRA
A noite é longa
e fria no leito de hospital. A glória, os beijos, as manchetes, os
carrões ficaram no passado. Falta pouco para o encontro marcado com
o capítulo final. Mas o corpo ainda se revolta. Deseja o último
gole...
Veludo acorda e não
sabe onde está.
Cadê o Maracanã,
cadê?
A cabeça parece que
vai explodir.
Veludo entra em campo e
salva o Fluminense.
O dirigente paga mais
uma rodada, Veludo!
No bar, Yashin divide a
conta com Detinho.
Cicinho derruba outra
latinha.
A noite se confunde com
o dia na embriaguez do lateral.
Cicinho que superou o
delírio voltando a jogar bola.
Marinho.
Marinho Chagas que teve
o Rei a seus pés.
Marinho que mergulhou
nas dunas da ilusão.
Garçom, desce mais!
Do meio campo pra
frente o álcool bate um bolão.
Kubala nas noites
catalãs deixava os espanhóis de orelha em pé.
Kubala que mandava e
desmandava em Gaudí.
A bola saindo da mesa
de Kubala encontrava George Best.
Álcool, álcool e
mulheres do quinto Beatle.
Best triangulando com o
Doutor na democracia irlandesa.
Quem negaria um trago a
Kubala, Best e Sócrates?
Mas ainda temos
Garrincha na direita.
Garrincha que botava a
todos no bolso.
No drible e nas
garrafas debaixo do braço.
Garrincha que cansou de
deixar Gerd Müller na cara do barman.
E quando a bola sobra
na linha final.
Quando se imagina que o
álcool fez sua última vítima fatal.
Naquela mesa senta o
Imperador.

Amigo Roberto, em geral leio as tuas crônicas aqui, no Juca... de novo aqui... paro, penso, reflito...
ResponderExcluirestejas certo que nesta, mais uma vez, mostraste o teu talento, o teu dom...
esta é... esta é doída, sensível... assim como a vida é...
formidável...
parabéns...
1 abraço.