5 de set. de 2012






Por ROBERTO VIEIRA  



A noite é longa e fria no leito de hospital. A glória, os beijos, as manchetes, os carrões ficaram no passado. Falta pouco para o encontro marcado com o capítulo final. Mas o corpo ainda se revolta. Deseja o último gole...


Veludo acorda e não sabe onde está.

Cadê o Maracanã, cadê?

A cabeça parece que vai explodir.

Veludo entra em campo e salva o Fluminense.

O dirigente paga mais uma rodada, Veludo!

No bar, Yashin divide a conta com Detinho.

Cicinho derruba outra latinha.

A noite se confunde com o dia na embriaguez do lateral.

Cicinho que superou o delírio voltando a jogar bola.

Marinho.

Marinho Chagas que teve o Rei a seus pés.

Marinho que mergulhou nas dunas da ilusão.

Garçom, desce mais!

Do meio campo pra frente o álcool bate um bolão.

Kubala nas noites catalãs deixava os espanhóis de orelha em pé.

Kubala que mandava e desmandava em Gaudí.

A bola saindo da mesa de Kubala encontrava George Best.

Álcool, álcool e mulheres do quinto Beatle.

Best triangulando com o Doutor na democracia irlandesa.

Quem negaria um trago a Kubala, Best e Sócrates?

Mas ainda temos Garrincha na direita.

Garrincha que botava a todos no bolso.

No drible e nas garrafas debaixo do braço.

Garrincha que cansou de deixar Gerd Müller na cara do barman.

E quando a bola sobra na linha final.

Quando se imagina que o álcool fez sua última vítima fatal.

Naquela mesa senta o Imperador.


Um comentário:

  1. Antonio (dando merecidos parabéns)5 de setembro de 2012 às 18:34

    Amigo Roberto, em geral leio as tuas crônicas aqui, no Juca... de novo aqui... paro, penso, reflito...

    estejas certo que nesta, mais uma vez, mostraste o teu talento, o teu dom...

    esta é... esta é doída, sensível... assim como a vida é...

    formidável...

    parabéns...

    1 abraço.

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Comentários