15 de ago. de 2012





Por ROBERTO VIEIRA  


Era um time de classe e raça invulgares.

Onze viralatas e um destino.

Mas ninguém afirmaria isso antes da Copa de 58.

Ou melhor, apenas Nelson Rodrigues.

Porque antes era o descrédito viralata.

Antes era o luto oficial.

Tão luto quanto o verde amarelo depois de Rasunda.

Gilmar era o frangueiro ocasional.

Papava frango na maior calma do mundo.

A torcida se descabelando nas arquibancadas.

Gilmar zen.

Djalma Santos era velho conhecido.

Saúde de vaca premiada holandesa.

Mas só servia pra reserva do bravo De Sordi.

Bellini era pau pra toda obra.

Um rapaz de belos modos e perfil.

Bellini que era unha e carne do classudo Orlando.

Bellini e Orlando.

Nunca houve uma dupla como essa no futebol.

Nilton Santos era bom demais pra Flávio Costa.

Sabia demais.

Jogava demais.

Driblava demais.

Zito.

Zito não gostava de perder nem cara ou coroa.

Zito que já carregava o Santos nas costas.

Didi.

Didi era a versão hollywoodiana de Zizinho.

Didi sozinho era melhor que toda a Alemanha de Fritz Walter.

Mas viviam falando apenas dos amores de Didi.

Tinha um certo Mané na ponta direita.

Senhor!

Um time com Didi e Mané!

Vavá começou armando o time na infancia.

Um dia virou Leão nas fuças de Yashin.

Vavá que foi o parceiro mais fominha de Pelé.

Vavá que prometeu o título ao pai.

Antes mesmo de nascer.

Na esquerda, no meio, em todo canto tinha o Zagalo.

Zagalo que valia por dois Zatopeks.

Zagalo que corria, corria, corria e não se cansava nunca.

Zagalo que nunca se cansou de vestir a amarelinha.

O que?

Faltou alguém?

Pois é.

Tinha também um menino enviado pelo Antigo Testamento.

Promessa dos três reis magos:

Friedenreich, Leônidas e Patuska.

E esse menino cumpriu todas as promessas dos anjos e arcanjos,

demônios e orixás do nosso futebol.

Um viralata com pedigree chamado Pelé...  

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