Por ROBERTO VIEIRA
Era um time de classe e
raça invulgares.
Onze viralatas e um
destino.
Mas ninguém afirmaria
isso antes da Copa de 58.
Ou melhor, apenas
Nelson Rodrigues.
Porque antes era o
descrédito viralata.
Antes era o luto
oficial.
Tão luto quanto o
verde amarelo depois de Rasunda.
Gilmar era o frangueiro
ocasional.
Papava frango na maior
calma do mundo.
A torcida se
descabelando nas arquibancadas.
Gilmar zen.
Djalma Santos era velho
conhecido.
Saúde de vaca premiada
holandesa.
Mas só servia pra
reserva do bravo De Sordi.
Bellini era pau pra
toda obra.
Um rapaz de belos modos
e perfil.
Bellini que era unha e
carne do classudo Orlando.
Bellini e Orlando.
Nunca houve uma dupla
como essa no futebol.
Nilton Santos era bom
demais pra Flávio Costa.
Sabia demais.
Jogava demais.
Driblava demais.
Zito.
Zito não gostava de
perder nem cara ou coroa.
Zito que já carregava
o Santos nas costas.
Didi.
Didi era a versão
hollywoodiana de Zizinho.
Didi sozinho era melhor
que toda a Alemanha de Fritz Walter.
Mas viviam falando
apenas dos amores de Didi.
Tinha um certo Mané na
ponta direita.
Senhor!
Um time com Didi e
Mané!
Vavá começou armando
o time na infancia.
Um dia virou Leão nas
fuças de Yashin.
Vavá que foi o
parceiro mais fominha de Pelé.
Vavá que prometeu o
título ao pai.
Antes mesmo de nascer.
Na esquerda, no meio,
em todo canto tinha o Zagalo.
Zagalo que valia por
dois Zatopeks.
Zagalo que corria,
corria, corria e não se cansava nunca.
Zagalo que nunca se
cansou de vestir a amarelinha.
O que?
Faltou alguém?
Pois é.
Tinha também um menino
enviado pelo Antigo Testamento.
Promessa dos três
reis magos:
Friedenreich, Leônidas
e Patuska.
E esse menino cumpriu
todas as promessas dos anjos e arcanjos,
demônios e orixás do
nosso futebol.
Um viralata com
pedigree chamado Pelé...

Mais um golaço,Roberto.
ResponderExcluirExcelente texto, Roberto.
ResponderExcluir