Por ROBERTO VIEIRA
Durante muitos anos o Coritiba carregou uma fama:
Coxa Branca.
Tudo por causa de um alemão de Düsseldorf:
Hans Egon Breyner.
Breyner que chegou aos seis anos de idade ao Paraná.
Fugindo da Primeira Grande Guerra.
Breyner que se tornou zagueiro do Coritiba no início dos anos 40.
Anos de uma nova guerra. Anos de getulismo e nazismo.
Aproveitando um Atletiba, o futuro presidente do Atlético-PR Jofre Cabral e Silva, tascou:
"Coxa Branca!"
Uma provocação pela cor da pele dos jogadores do Coritiba.
Pela sua origem alemã.
Pois o getulismo viu que a jangada de Hitler ia afundar e se jogou nos braços dos Aliados.
Da noite pro dia, ser alemão, italiano e japonês virou sinônimo de traidor.
Em Pernambuco, inúmeras lojas pertencentes a estrangeiros foram depredadas.
O apelido que proclamava o 'racismo' do Coritiba pegou.
Mas o Coritiba venceu o Atlético nas finais do estadual e foi campeão.
Breyner, profundamente entristecido com o episódio, retirou-se dos gramados.
E a expressão Coxa Branca só foi reabilitada em 1969.
Gritada nas arquibancadas do então Estádio Belfort Duarte.
Longe de mim discutir com a história.
O próprio Náutico teve seus desvios escravocratas.
Como, aliás, todos os clubes do Brasil.
Com exceção de um Vasco, um Santa Cruz, um Ypiranga...
Mas uma coisa sempre me chamou atenção na história do Coritiba.
Um fato esquecido até pelos próprios coritibanos.
Observem a foto do Coritiba, campeão paranaense de 1941.
O time onde jogava Breyner.
Observem com atenção e verão:
Nem todo mundo é o que se pode chamar de 'Coxa Branca'!


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