7 de nov. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Há 95 anos nascia Albert Camus.

E o que o futebol tem a ver com isso?

Tudo.

Nunca houve um escritor como Albert Camus.

Porque nunca houve um Nobel de literatura com um passado de goleiro.

(Embora o ex-goleiro vascaíno Valdir Appel bata um bolão com as palavras)

O menino pobre, de infância difícil nas ruas de Argel, encontrou no futebol alegria.

Até que a tuberculose encerrou seus sonhos de boleiro aos 17 anos.

Quando o mundo assistia a primeira Copa no Uruguai.

Afastado do gol do Racing de Argel, Camus refugiou-se nos livros.

Nas palavras. Na dramaturgia.

E, durante um bom tempo, na política.

Um goleiro é uma criatura estranha no campo de futebol.

Único jogador que pode agarrar a bola com as mãos.

Um estrangeiro.

Pois assim era Camus na Argélia. Um francês nascido na África.

Um 'pied noir'.

Um 'homem de fronteira', na definição de Mário Vargas Llosa.

Com as mesmas contradições de um Zinedine Zidane.

Zidane que é um argelino nascido na França.

Ao visitar o Brasil no final dos anos 40, Camus admirou-se com as casas caiadas e telhados vermelhos do bairro de São José em Recife.

Observou o contraste entre a floresta continental e o concreto de São Paulo.

Mas, velho apaixonado, seu primeiro pedido foi assistir um jogo de futebol.

Fascinado pelo amor do povo pelas quatro linhas do gramado.

Amor que ainda carregava em seu coração.

Anos depois, um jornalista perguntou irônico a Camus sobre a importancia do futebol em sua vida.

Futebol considerado mera curiosidade na biografia do escritor.

Albert Camus respondeu. Subitamente sério. Saudade no olhar:

"O que eu sei sobre a moral e as obrigações de um homem devo ao tempo em que joguei futebol..."

Há 95 anos nascia Albert Camus.

E o que o futebol tem a ver com isso?

Tudo.



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