13 de out. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA


Vou-me embora pra Arquibancada

Lá sou amigo do Rei

Lá tenho o futebol que eu quero

No estádio que escolherei

Vou-me embora pra Arquibancada

Vou-me embora pra Arquibancada

Aqui eu não sou feliz

Lá o drible é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Garrincha algoz da Espanha

Senhor do tempo inclemente

Vem a ser contraparente

Do genro que nunca tive

E como farei mil gols

Leônidas e bicicleta

Zagueiros por meus escravos

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na arquibancada

Mando chamar Mário Filho

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Nélson vinha me contar

Vou-me embora pra Arquibancada

Na Arquibancada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir segunda divisão

Tem gol de placa automático

Tem chopp gelado à vontade

Tem cheerleaders bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do Rei —

Terei o troféu que eu quero

No estádio que escolherei

Vou-me embora pra Arquibancada.

* Homenagem a Manuel Bandeira que foi embora pra Pasárgada há 40 anos...


Categories: ,

0 comentários:

Postar um comentário

Comentários