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28 de jun. de 2014





Tinha 16 anos.

Passava férias em Petrolina.

A notícia passou incólume pelo coração Beatle.

Não sabia.

A música havia silenciado para sempre*.

Vinícius estava cassado pelo governo militar.

Subtraído das obrigações diplomáticas desde 1968.

Um vagabundo embriagado pelos bares do planeta.

Vinícius que desejava ser cremado.

E foi solenemente enterrado no S. João Batista.

Sepultura 366C.

Quadra 30.

Sob um céu azul sem ser de abril.

Eu não sabia.

E por não saber não fiquei triste.

Triste só fiquei dois anos depois.

Quando comprei meu primeiro disco de Vinícius.

'amigos meus, está chegando a hora em que a tristeza aproveita pra entrar...'

E a tristeza que entrou em mim foi tão grande.

Que do meu coração nunca mais partiu...



* Frase proferida por Helô Pinheiro ao se despedir de Vincíus...


8 de ago. de 2013





José Soares foi o Pessoa do futebol pernambucano.

Poeta da bola.

Autor de épicos.

Pedi um Pente me deram um Penta

'Comendo periquito assado.

Timbu com limão.

Pegando o Sport na Ilha.

Machucando com Sapatão'.

José que também cantou o Sport 20 vezes campeão...

12 de mar. de 2013







Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Fonte:
QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Porto Alegre: L&PM,1980.

19 de out. de 2008



João Cabral de Melo Neto, ex-jogador Juvenil do Santa Cruz



Por ROBERTO VIEIRA

"Ademir impõe com seu jogo

o ritmo do chumbo (e o peso),

da lesma, da câmara lenta,

do homem dentro do pesadelo."


No poema acima, João Cabral de Melo Neto homenageia o ídolo Ademir da Guia.

Poeta e craque em verso severino.

João Cabral poeta, craque e ex-jogador de futebol. Torcedor apaixonado do América-PE.

Ademir da Guia, poeta intuitivo. Decassílabo. Alexandrino. Divino.

O futebol de Canhoteiro também se emaranhou na memória de Ferreira Gullar.

Traduzindo uma parte na outra parte. Será arte?

Fosse o futebol um gênero literário, não seria prosa.

Tão pouco seria um romance com começo, meio e fim.

Fosse o futebol um gênero literário, o futebol seria poesia.

Pois todo jogador de futebol é um poeta.

Há os repentistas como Cafuringa, Rivaldo e Denílson.

Os poetas concretistas Dunga e Zagalo.

Os românticos como Telê, Mário de Castro e Tim.

Os épicos como Barbosa e Heleno de Freitas.

O haikai flamenguista de Radar e do ponta esquerda Júlio César. Breves. Simbólicos.

E como esquecer o Homero do futebol brasileiro, Nilton Santos?

Mas a poesia no futebol brasileiro não se restringe na habilidade com a bola nos pés.

A poesia no futebol brasileiro escorre da pena de Armando Nogueira.

Reluz no anjo de pernas tortas do poetinha Vinícius de Moraes. Ou na poesia cruzmaltina de Carlos Drummond de Andrade.

A poesia no futebol brasileiro ocupa até as crônicas do futebol brasileiro.

Pois não será poesia o texto de Mário Filho e Nélson Rodrigues?

Ou a camisa contra o vento de Roberto Drummond?

No dia 20 de outubro se comemora o dia nacional da poesia.

Outubro, não por acaso mês de Iashin, Charlton, Pelé, Maradona e Mané Garrincha.

Muitos torcedores apaixonados compreendem a poesia no futebol.

Outros tantos, não enxergam poesia nas quatro linhas do gramado. Exigem relatos jornalísticos. Pragmáticos.

Analíticos.

Mas tanto uns quanto outros gritam e choram no instante de um gol.

Rima rica de quem no futebol, simplemente, amou...


13 de out. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA


Vou-me embora pra Arquibancada

Lá sou amigo do Rei

Lá tenho o futebol que eu quero

No estádio que escolherei

Vou-me embora pra Arquibancada

Vou-me embora pra Arquibancada

Aqui eu não sou feliz

Lá o drible é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Garrincha algoz da Espanha

Senhor do tempo inclemente

Vem a ser contraparente

Do genro que nunca tive

E como farei mil gols

Leônidas e bicicleta

Zagueiros por meus escravos

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na arquibancada

Mando chamar Mário Filho

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Nélson vinha me contar

Vou-me embora pra Arquibancada

Na Arquibancada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir segunda divisão

Tem gol de placa automático

Tem chopp gelado à vontade

Tem cheerleaders bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do Rei —

Terei o troféu que eu quero

No estádio que escolherei

Vou-me embora pra Arquibancada.

* Homenagem a Manuel Bandeira que foi embora pra Pasárgada há 40 anos...


14 de ago. de 2008





Tenho vários ídolos na poesia.

Escritores que contaram em versos o que a gente sente.

Antes mesmo da gente sentir.

Carlos Penna Filho é um destes poetas.

Um poeta infinito.

Um poeta para ser recitado por cada pernambucano na sala de aula.

Nas noites de serenata.

Na alegria e na tristeza.

No amor e na solidão.

Na foto, Penna Filho abraça sua única filha.

Maria Clara.

Pão e poesia.


[IMAGEM]