7 de out. de 2008



[IMAGEM]


Por ROBERTO VIEIRA

Tenho grandes amigos rubro negros.

E tenho grandes amigos tricolores.

O que não me torna menos alvirrubro.

Mas nunca briguei por futebol, e espero nunca brigar.

Uma imagem hoje no trânsito me fez lembrar um fato antigo.

Um escudo híbrido com placa de Ipojuca.

Anos atrás, e bota tempo nisso, eu ia a tudo que era jogo.

Paulistano x Náutico. Expressinho x Náutico.

Peixinhos x Náutico.

Mas é claro que os clássicos eram o centro das atenções.

Foi no Cantinho da Ilha e no Vagão que eu fiquei amigo de um torcedor do Sport.

Durante um ano a gente batia ponto nos dois bares antes das pelejas.

Sentados, ele com a camisa do Sport ou do Milan e eu com a gloriosa.

Em volta, torcedores dos dois clubes. Nossos outros amigos.

Em 1989, a torcida do Sport me chamou quando eu cheguei no Vagão.

Vieram me contar que meu colega havia falecido em um acidente de carro.

Vocês vão achar esquisito o que vou contar agora.

Eu nunca soube ao certo o nome dele.

Pra mim ele era o Rubro negro.

E ele me chamava de Alvirrubro.

Eram nossos apelidos.

Naquela tarde de 1988 assisti o clássico em silêncio.

Noventa minutos de silêncio.

Escrevo estas palavras pela lembrança do amigo.

Para que o futebol seja sempre esta paixão que alucina.

Mas que também nos ensina.

Que o limite da paixão pelo nosso clube é onde se inicia a paixão dos adversários.

Muita gente pode não entender. Pode achar piegas.

Mas quem tem um bom amigo saberá compreender a mensagem...



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