[IMAGEM]
Por ROBERTO VIEIRA
Tenho grandes amigos rubro negros.
E tenho grandes amigos tricolores.
O que não me torna menos alvirrubro.
Mas nunca briguei por futebol, e espero nunca brigar.
Uma imagem hoje no trânsito me fez lembrar um fato antigo.
Um escudo híbrido com placa de Ipojuca.
Anos atrás, e bota tempo nisso, eu ia a tudo que era jogo.
Paulistano x Náutico. Expressinho x Náutico.
Peixinhos x Náutico.
Mas é claro que os clássicos eram o centro das atenções.
Foi no Cantinho da Ilha e no Vagão que eu fiquei amigo de um torcedor do Sport.
Durante um ano a gente batia ponto nos dois bares antes das pelejas.
Sentados, ele com a camisa do Sport ou do Milan e eu com a gloriosa.
Em volta, torcedores dos dois clubes. Nossos outros amigos.
Em 1989, a torcida do Sport me chamou quando eu cheguei no Vagão.
Vieram me contar que meu colega havia falecido em um acidente de carro.
Vocês vão achar esquisito o que vou contar agora.
Eu nunca soube ao certo o nome dele.
Pra mim ele era o Rubro negro.
E ele me chamava de Alvirrubro.
Eram nossos apelidos.
Naquela tarde de 1988 assisti o clássico em silêncio.
Noventa minutos de silêncio.
Escrevo estas palavras pela lembrança do amigo.
Para que o futebol seja sempre esta paixão que alucina.
Mas que também nos ensina.
Que o limite da paixão pelo nosso clube é onde se inicia a paixão dos adversários.
Muita gente pode não entender. Pode achar piegas.
Mas quem tem um bom amigo saberá compreender a mensagem...
0 comentários:
Postar um comentário
Comentários