15 de set. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

(Publicado originalmente na Nauticonet no dia 20.07.2007, véspera dos 39 anos do Hexa)

Algumas pessoas julgam que um clube de futebol é feito de concreto. Outras imaginam que um clube é feito da sua conta bancária e do seu patrimônio imobiliário.

É um engano.

Um clube de futebol é feito por homens e sonhos. Um clube de futebol é feito pela memória daqueles que deram sangue e suor pelas suas cores. Ele é feito pela alegria das vitórias. Pelas lágrimas da derrota.

No espaço que a Nauticonet reservou para que eu escrevesse sobre a história do Náutico, espaço que agradeço de coração, procuro resgatar estes sonhos e estes homens que souberam honrar o manto alvirrubro. Muitos internautas se revoltaram com a lembrança de antigos heróis e antigos feitos. Não sabem eles como é triste ver um antigo ídolo esquecido pela multidão que o aplaudiu.

Em minha vida eu vi antigos ídolos hospitalizados, cirróticos, esquecidos. Eles que tiveram seu nome gritado pela massa nos estádios, entregaram-se ao vício sem poderem compreender como era tão breve a fama e tão imensa a amnésia dos fãs. Muitas vezes eu os vi chorando, abandonados.

É triste meu amigos. Muito triste.

Hoje eles anseiam por um pé-de- meia, pois sabem como é transitória a glória. A ‘mão que afaga é a mesma que apedreja’, como bem falava Augusto dos Anjos. Eles conhecem como morreram muitos dos antigos atletas. Na miséria. Na sarjeta.

Alguém imagina como morreu Jorge Mendonça?

Alguém recorda Ramos?

Alguém pranteia Clóvis ou Gilson Saraiva?

Quando as luzes se apagam, os jogadores possuem apenas a memória. E a memória por vezes é cruel na longa noite da vida.

Ano passado encontrei-me com Lourival em Caruaru. Fiz questão de apertar-lhe a mão agradecido.

Porque ele, Baiano e Mirandinha me ajudaram a sorrir em algumas tardes de domingo.

É tudo o que a gente leva da vida, meus amigos.

A memória de algumas tardes de domingo.

Acha-se que Kuki não serve para jogar a primeira divisão, façam um jogo despedida. Transformem-no em conselheiro como fizeram com Muricy Ramalho. Não transformem o carinho destes cinco anos em uma injustiça sem precedentes.

Que a torcida alvirrubra não seja a mão que apedreja.


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