15 de set. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA


Muitos não compreendem a finalidade do ídolo. Teimam em derrubar estátuas. Tripudiar sobre a idade dos heróis.

Proclamam o fim do imortal.

Mas nenhuma sociedade sobrevive sem o mito. Eles são o exemplo a ser seguido.

O norte.

As corridas do ídolo Kuki já não são fulminantes. Seus gols escasseiam. Alguns torcedores insanos apontam com a porta do adeus.

Mas assistir seus piques pelas pontas. Seus cruzamentos rasteiros. Sua vontade de vencer.

Inspira.

Como um velho, viúvo e alquebrado Machado de Assis pelas ruas do Rio de Janeiro. Os transeuntes iletrados fazendo pouco do seu pálido retrato. Do seu Memorial de Aires:

"Vejam, por que ele não escreve as Memória Póstumas de Assis?"

E Machado prossegue pela rua do ouvidor, só, sem dar ouvidos.

Kuki subiu a colina e ousou correr pela ponta de São Januário. Como corria Ademir. E descreveu um cruzamento raro e fatal, como Chico, Lupercínio ou Lima.

O resto meus senhores, é história. Aproveitem os últimos momentos do fenômeno Kuki. Um dia ele será o tema das conversas com seus netos:

"Crianças, acreditem, eu vi o Kuki jogar.."

PS: Para os que julgam o texto fruto do momento, leiam o próximo post, escrito ano passado sobre o nosso ídolo maior.


Categories: ,

0 comentários:

Postar um comentário

Comentários