
Por ROBERTO VIEIRA
Muitos não compreendem a finalidade do ídolo. Teimam em derrubar estátuas. Tripudiar sobre a idade dos heróis.
Proclamam o fim do imortal.
Mas nenhuma sociedade sobrevive sem o mito. Eles são o exemplo a ser seguido.
O norte.
As corridas do ídolo Kuki já não são fulminantes. Seus gols escasseiam. Alguns torcedores insanos apontam com a porta do adeus.
Mas assistir seus piques pelas pontas. Seus cruzamentos rasteiros. Sua vontade de vencer.
Inspira.
Como um velho, viúvo e alquebrado Machado de Assis pelas ruas do Rio de Janeiro. Os transeuntes iletrados fazendo pouco do seu pálido retrato. Do seu Memorial de Aires:
"Vejam, por que ele não escreve as Memória Póstumas de Assis?"
E Machado prossegue pela rua do ouvidor, só, sem dar ouvidos.
Kuki subiu a colina e ousou correr pela ponta de São Januário. Como corria Ademir. E descreveu um cruzamento raro e fatal, como Chico, Lupercínio ou Lima.
O resto meus senhores, é história. Aproveitem os últimos momentos do fenômeno Kuki. Um dia ele será o tema das conversas com seus netos:
"Crianças, acreditem, eu vi o Kuki jogar.."
PS: Para os que julgam o texto fruto do momento, leiam o próximo post, escrito ano passado sobre o nosso ídolo maior.
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