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30 de ago. de 2008

MIL E UM BOLEIROS



Por ROBERTO VIEIRA

Reza uma antiga tradição, cada vilarejo árabe possuía um contador de estórias.

Eis que no mundo globalizado, além do contador de estórias, cada vilarejo árabe possui... um jogador ou técnico brasileiro.

Terra das mil e uma noites, agora o mundo árabe também é a terra dos mil e um boleiros brasileiros.

Herdeiros de Roberto Rivelino, Parreira e Zagallo.

Ano passado, Araújo cansou de fazer gols no Qatar. Em um time com o improvável nome de Al Gharrafa onde também atua Fernandão.

Toninho Cerezo foi campeão treinando o Al Shabab nos Emirados Árabes.

Emerson Leão encontrou paz e sossego no Al Sadd, também no Qatar. O jogador árabe não bebe e não fuma.

Como nada na vida é perfeito, seu grande problema é que muitas vezes o jogador árabe também não joga.

Quer mais?

O campeão mundial Abel Braga trabalha no Al Jazira. Roger no Qatar Esporte Clube.

Zé Mário, Marcinho, Autuori, Paquetá, Aloísio, a lista é infindável.

Curiosamente, a avalanche brasileira no mundo árabe tem sua origem na morte daquela outra tradição mencionada no começo do texto.

As noites do deserto já não reunem as pessoas em volta da fogueira para ouvir contos de caravanas, tempestades de areia, gênios e lâmpadas.

Sherazade desapareceu do imaginário beduíno.

As mil e uma noites se transformaram em mil e um canais de TV a cabo onde passam jogos do Campeonato Brasileiro.

O gol substituiu Aladim.

O drible é o novo Abre-te Sésamo.



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