
A derrota nos olhos do melhor jogador do mundo?
Eu já vi esse filme.
No dia 7 de julho de 1974. Um dia depois do meu aniversário.
Na sala da casa em Limoeiro eu via, incrédulo, as ondas de ataques holandeses arrebentando contra a muralha alemã.
Cruyjff correndo, correndo, correndo sem fugir da marcação de Berti Vogts.
O suor derrotando a arte.
Hoje foi o dia de Martha.
Vão dizer o de sempre.
Joga bonito, mas perde no final.
Como se uma menina nascida em Dois Riachos já não fosse uma vencedora por chegar tão longe de casa com uma bola nos pés.
O ser humano não perdoa o segundo lugar.
Mas desde aquele domingo de sol e chuva, uma verdade permanece incólume.
A derrota pode ser coberta de honra. Um berço de lágrimas. Um testemunho de luta.
Sendo assim, a derrota é uma medalha de ouro que carregamos pela vida afora.
Triste é a derrota servil. Essa derrota que acostuma o ser humano aos becos da vida, aos arredores da insignificância.
Essa derrota que alguns jogadores e algumas pessoas consideram corriqueira.
Tão corriqueira que se torna um hábito.
Hábito que faz o monge. Muitas vezes, vermelho e branco... Outras vezes sete anões.
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