1 de jul. de 2008




A edição de hoje do Diario de Pernambuco traz um suplemento especial sobre a Copa do Mundo de 1958.

E no suplemento, um texto de minha autoria.

Sinto-me honrado e profundamente grato ao caderno de esportes do Diario.

Guardarei o suplemento e as imagens.

Capazes de emocionar qualquer pernambucano, qualquer brasileiro.


Por ROBERTO VIEIRA

Durante as comemorações dos 50 anos da conquista do futebol brasileiro na Suécia, um fato passou desapercebido por grande parte dos torcedores: A Taça Jules Rimet beijou primeiro o solo pernambucano. Antes de sua chegada no Rio e em São Paulo, a seleção de Vavá, Pelé e Garrincha fez escala em nossa capital no dia primeiro de julho de 1958.

Não foi a primeira vez que Recife escreveu seu nome na história da seleção. Em 1938, Recife recebeu com uma multidão incalculável o timaço de Domingos da Guia e Leônidas. A seleção brasileira de 1938, terceira colocada no Mundial da França. Em 1994, novamente a seleção é recebida com festa em nossa capital. Desta vez, agradecendo o apoio dado durante as eliminatórias para a Copa de 1994 nos EUA.

Tais lembranças na comemoração dos 50 anos do título na Suécia, levam os pernambucanos a cantar com toda justiça que "A Taça do Mundo é nossa!"

1 de julho de 1958: Vavá

Chovia. A multidão se acotovelava pelas ruas e pontes do Recife indiferente ao tempo. Nunca se saberá ao certo quantas milhares de pessoas foram às ruas no dia primeiro de julho de 1958. A seleção brasileira era campeã do mundo e nada era mais importante que ver Pelé, Garrincha e Gilmar. Quem sabe abraçar o pernambucano Vavá. Os guarda-chuvas se misturavam com uma outra chuva, a de papel picado jogado dos edifícios na Avenida Guararapes.

O brasileiro sofrera uma transformação desde a final contra a Suécia. Erguera os ombros, olhava no mundo de frente, encarava o futuro como apenas um detalhe. Nas palavras do pernambucano Nelson Rodrigues acabara o nosso complexo de vira-lata. O nordestino se via então, dono do mundo. Pelos pés dos alagoanos Zagalo e Dida. Pelos gols do valente Vavá. De todas as cidades do interior e de outros estados chegavam torcedores e curiosos.O país de JK e da bossa-nova era também o país do futebol.

O técnico Vicente Feola ficou sentado observando a multidão. Ao seu lado, o presidente da FPF, Rubens Moreira. Vavá foi abraçado pela Miss Pernambuco, Sônia Maria Campos, que iria a Londres disputar o título de Miss Mundo. Organizou-se um desfile em carro aberto pelas ruas da cidade.

As imagens dos gols e das jogadas na Suécia ainda não haviam chegado no Brasil. A imaginação dominava a alma do torcedor. E na alma do torcedor Garrincha era de outro planeta, Pelé, um menino de fraldas. Mas, sobretudo Vavá, era um gigante rompendo defesas, marcando gols e mais gols em Lev Iashin, derrotando a França de Fontaine, goleando os donos da casa na final.

Vavá que surgiu no pequeno Íbis. Vavá que passou como tempestade no Sport. Vavá que seguiu pelo mundo, pelo Vasco, pelo Palmeiras, pela Espanha, marcando gols com sotaque nordestino.

Se é verdade que naquele inverno o brasileiro perdeu o complexo de viralata, muito disso se deve ao pernambucano Edvaldo Izidio Neto. O peito-de-aço, Vavá!



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