3 de jul. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Meu caro amigo,

O apaixonado torcedor do Fluminense e da LDU que me desculpe.

Aqui na terra estão jogando futebol. Tem muito samba, muito choro e rock'n roll.

Mas o que eu quero te dizer é que o Polytheama é melhor, muito melhor que as duas equipes que disputaram a final da Libertadores na noite de ontem.

Claro que não vai se querer objetividade de quem é apaixonado, longe disso. Eles são os profetas mais delirantes.

O jogo deve ser assistido em transe, em catarse.

Porém, quem assiste de fora vê com olhos tristes, rasos d'água, o epílogo do futebol sul americano.

Em campo, onde estarão Rivelino, Telê, Hércules? Estão se guardando pra quando o carnaval chegar?

Onde andarão Spencer, Bochini, Artime? Foram levados pela roda viva?

Bastaria um lampejo de Joãozinho. Mas tudo em volta está em construção.

No estádio não há Pedro Pedreiro, nem Pedro Rocha. O ingresso não é pra qualquer um.

Para estufar esse filó, como a torcida tricolor sonhava, Thiago Neves. Mas onde um companheiro para aplicar firula exata?

Onde um Pagão, nesse território de fanáticos religiosos?

Só mesmo sofrendo na distância da arquibancada, no contrapé, para avançar na vaga geometria do tempo. E voltar a sonhar.

Quando as luzes se apagaram no Maracanã vazio, um pensamento vagou pelo sofrer tricolor.

Carnaval, desengano. A dor repousa em casa, descansando.

E o clube das Laranjeiras exclamava aos seus torcedores, baixinho:

"Te perdôo por te trair."

Enquanto o povo clamava pelo Polytheama.

Polytheama que cultiva a fama de não perder.





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