Por ROBERTO VIEIRA
Era o último suspiro da democracia.
Como a Barcelona de 1936, o Recife se dividia entre falanges e republicanos.
Ambos radicais.
Era o último suspiro do Sport. Embora nenhum rubro negro suspeitasse.
Brigite Bardot passou por Recife. E o Recife conheceu a mulher...
Bardot que chegou acompanhada do namorado.
Quis o destino que o primeiro título do Hexa fosse o último da democracia.
Destino. Pois nada mais democrático que o futebol do Náutico. Democracia plena de craques e gols.
Liberdade novamente, somente em 1985, com o Náutico novamente campeão.
O Náutico galgava os degraus que o levariam à Libertadores de 1968.
Mas se alguém mencionasse isso em janeiro de 1964, soaria como lunático.
Nos anos que se seguiram, adivinhos e oráculos previam vitórias alvirrubras.
Mágica de criança.
Porque, depois de 1964, milagre era ocorrer o contrário no futebol pernambucano e nacional.
O juiz Armando Marques era a bola da vez.
Assim como o governador Miguel Arraes que visita Palmares e despacha no interior.
Enquanto uma greve dos petroleiros deixa o Nordeste sem gasolina e Fortaleza às escuras.
O Náutico já era imensamente superior ao Sport e ao Santa Cruz.
E a melhor de três foi ganha com soberbas atuações de Rinaldo.
Artilheiro e craque absoluto do campeonato.
(Rinaldo que levou seu peso em pão para os pobres após a conquista do título).
Na primeira partida na Ilha, vitória por 3 x 2.
Na segunda partida, no sagrado dia 22 de janeiro de 1964 nos Aflitos, outra vitória: 4 x 2.
Com 17.217 pagantes para uma renda de Cr$ 5.932.100,00.
O Náutico de Lula; Gernan, Zequinha, Gilson Costa e Clóvis; Salomão e Ivan; Nado, Bita, Nino e Rinaldo.
Uma verdadeira seleção comandada por Alfredo Gonzalez.
Como um sinal dos ventos de março, Rinaldo vai embora para o Palmeiras.
Rinaldo já convocado para a seleção brasileira.
Despede-se no dia 31 de março de 1964. Quando as tropas se rebelavam nos quartéis.
(Quando até os Beatles foram usados como manchete para enrolar a censura).
O Náutico perde o amistoso da despedida de Rinaldo por 4 x 0 na Ilha do Retiro. O Palmeiras sorri, superior.
Nos próximos anos, o Palmeiras e o resto do Brasil não terão tantos motivos para sorrir.
Principalmente quando ouvirem o nome do Clube Náutico Capibaribe.
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