13 de jul. de 2008






Prezado Sr. Técnico Alvirrubro,

Esta é a semana do Hexa. Com letra maiúscula.

O senhor sabe o que é isso?

Talvez até saiba. Talvez todo o time saiba.

Mas não compreende o que é.

Saber é uma coisa. Compreender, outra bem diferente.

No dia 14 de julho de 1968 o Náutico venceu o Sport nos Aflitos por 1 x 0.

Três dias depois perdeu na Ilha por 3 x 2.

Para no dia 21 de julho de 1968 sagrar-se Hexacampeão nos Aflitos com outro 1 x 0.

Gol de Ramos. Com letra maiúscula.

Não o recrimino por não compreender. É preciso ser alvirrubro para tal.

E como profissional do futebol compreender não é fundamental.

Vide a pouca meia-vida dos treinadores e jogadores de futebol atualmente.

O torcedor sofre. Ama.

O profissional sofre, mas não ama.

O torcedor é o último AMADOR do futebol.

O último ser que ama nos gramados desse mundo afora.

Escrevo mui respeitosamente, Sr. Técnico Alvirrubro.

Para que além de saber, o senhor também compreenda.

E conte para o time.

Esta não é uma semana igual a todas as outras na história alvirrubra.

Não!

Esta é uma semana em que os alvirrubros lembram de Lula e Ivan.

Gena e Salomão. Nino e Lala.

Gilson Saraiva, Nado e Clóvis.

Uma semana em que nossos olhos se comovem com saudade de Bita (foto).

Estes homens sofriam e amavam. Perdiam e ganhavam.

Mas compreendiam os noventa minutos na vida em que o futebol se veste de significado.

O instante que permanece gravado no coração.

Mesmo quando quarenta anos nos contemplam na vastidão do deserto em que o Náutico se transformou.

Portanto, prezado Sr. Técnico Alvirrubro, queira enviar esta mensagem aos atletas.

Esta é a semana do Hexa.

Hexa.

Com letra maiúscula.


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