Meu querido e amado Pedrinho,
Não queria te ver triste assim, meu filho.
Aos oito anos de idade tudo deveria ser felicidade. Mas não é.
Sei que você enxerga os Aflitos pelos olhos do seu pai. Você que é minha alma gêmea, meu timbuzinho.
Meu filho, se eu pudesse seus olhos nunca ficariam tristes.
Se eu pudesse todas as histórias do Náutico terminariam com um final feliz.
Todos os jogos terminariam em goleada, ou quem sabe viradas heróicas, milagrosas.
Porque nenhum pai deseja ver seu filho sofrendo.
Não tenho como explicar tais coisas ao time do Náutico, meu filho.
Sei apenas contar algumas poucas histórias de um passado distante. Sei apenas te ensinar a sonhar. E lutar.
Pois é de sonhos que é feita a vida, embora muitos duvidem dos sonhos. Das lutas.
E você me ensina com teu sorriso muito mais do que eu sei.
A vida é feita de vitórias e derrotas. Chegadas e partidas.
Ninguém vence sempre, meu filho. Ninguém.
Todo grande time ganha e perde. Todo ser humano nasce e morre.
Mas eu já te falei que existem derrotas e derrotas.
A derrota de hoje nos deixa tristes pois é uma daquelas derrotas vazias. Frias. Gélidas. Mortais.
Foi apenas a derrota de quem não sonha.
E esta é a pior derrota de todas.
Dela não se escreverá nenhum grande texto no futuro. Será apenas uma derrota estatística.
A única lição que a derrota de hoje encerra, talvez seja esse vazio triste que percorre teus olhos de criança.
O vazio das estatísticas.
Na vida, meu filho, nunca aceite uma derrota vazia, fria, gélida. Mortal.
Nunca.
Mas não fique triste assim, meu filho.
Não fiquem tristes as crianças alvirrubras.
Não fique triste criança nenhuma de nenhum clube do mundo que perde um jogo de futebol.
Felizmente, a vida é muito maior que um jogo de futebol.
Assim como meu amor por você.
Roberto Vieira
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