15 de jun. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

Prezado Caio Júnior,

Antes de mais nada, parabéns!

Aos 43 anos nós podemos tudo.

Então, a hora de mandar os árabes às favas é agora. Depois fica mais difícil.

Depois vem o reumatismo e os cabelos brancos. A lápide.

Sou de um tempo em que os árabes brigavam uns com os outros e deixavam o futebol meio de lado. Até que em 1973 eles começaram a ter dinheiro aos borbotões.

A crise do petróleo derrubou a ditadura no Brasil e, de quebra, levou Rivelino em uma aventura pelas mil e uma noites.

O Flamengo é maior que todo o Oriente Médio. Se brincar, maior que o mundo.

Liderar o campeonato brasileiro com o Mengão, ser hexacampeão brasileiro, não tem preço.

Quem sabe até beliscar uma nova Libertadores das Américas? Ser campeão do mundo?

Tudo é possível no universo da Gávea. De lá se pode avistar Zico e Nunes comemorando a vitória contra o Liverpool.

Infelizmente, prezado Caio Júnior, de lá também se pode avistar a planície.

E a planície é um deserto no mundo do futebol, Caio Júnior. Um deserto sem poços de petróleo.

A paixão do torcedor dura menos que os noventa minutos de um clássico. Dura menos que o tempo de um Roger no Grêmio.

Dura menos que as mil e uma noites do Rivelino.

Rivelino que eu levei para o Rio.

A paixão do torcedor ergue e destrói coisas belas. Como Sampa.

Um dia você é herói. No outro bandido.

O avesso do avesso do avesso do avesso, como dizia o flamenguista Caetano Veloso quando falava do time do Flamengo, campeão de 1974.

Quando falo, penso logo em Zizinho. Zizinho que amava o Flamengo sobre todas as coisas. Zizinho vendido na calada da noite para o Bangu.

Zizinho que podia tudo. Zizinho que eu devolvi à seleção.

Lembro dos milhares de jogadores e técnicos que trocaram a segurança financeira pela paixão.

E morreram pobres e esquecidos.

Felizes são eles!

Ao contrário do que imagina a nossa vã filosofia: Mais vale uma paixão no coração!

Eu sei.

Eu que amei o Internacional. O Palmeiras. O Corinthians. O São Paulo.

Eu que já não posso sentir o amor e o ódio da multidão.

Eu que amei...

Brandão


Categories: ,

0 comentários:

Postar um comentário

Comentários