
Por ROBERTO VIEIRA
Caros torcedores,
Antes de tudo: Não sou imortal.
Sou apenas um sapato fechado por tiras ou cadarços e dotado de travas de couro, borracha, alumínio, plástico ou material similar, usado para jogar futebol e que substitui as antigas botinas segundo o Houaiss.
Muitos insistem em dizer que faço gols, cometo faltas, quebro pernas. Mas eu não faço nada disso. Eu apenas calço o pé do craque e do perna-de-pau.
Desde o primeiro amistoso internacional entre Inglaterra e Escócia no século XIX, muitos insistem em falar na pátria de chuteiras.
Mas eu não canto hinos. Eu não tenho bandeira. Eu sou multinacional. Jogo onde me pagam melhor.
Não quero dizer com isso que não é muito melhor vestir os pés de um Pelé ao invés de um Zezinho. Não!
Muitas vezes, eu tenho a sensação nos pés de um craque, que sou eu fazendo os gols, cobrando as faltas, ganhando campeonatos.
Ledo engano.
Compreendi depois de anos de análise.
Sou descartável como as camisas e os calções. Como os meiões.
Em resumo: Como o atual futebol brasileiro.
Eu não canto hinos. Eu não tenho bandeira. Eu sou multinacional. Jogo onde me pagam melhor.
Já é hora de entender esse detalhe do jogo.
Porque um jogo de futebol não salva pátria nenhuma.
A pátria sempre esteve descalça...
Um abraço,
A Chuteira
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