21 de jun. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Hoje a tocha olímpica desfila pelas ruas de Lhasa, capital do Tibete.

Ruas armadas até os dentes para reprimir protestos.

Como se mortos ousassem protestar.

Como se a tocha olímpica visitasse Jerusalém antes da Olímpiada da SS.

Quando essa mesma tocha olímpica for acesa no dia 8 de agosto de 2008 em Pequim, os ecos da ‘Marcha da Homenagem’ de Wagner poderão ser ouvidos nas arquibancadas.

Como no dia 1 de agosto de 1936 em Berlim, quando o mundo silenciou ante o poderio militar e econômico de um país que proibia a liberdade de imprensa, silenciava seus dissidentes e impunha a justiça pelas próprias mãos.

No papel da cineasta Leni Riefenstahl, os chineses contrataram Steven Spielberg para coreografar o martírio de um povo.

Mas o diretor percebeu a tempo que suas mãos, plenas de iens, estavam sujas de sangue dos campos de concentração.

Spielberg voltou atrás em sua consciência, fato muito distante do ignóbil COI.

Alguns dirão que na tribuna de honra não estará sentado Adolf Hitler, que o crescimento do comércio mundial justifica a amaurose fugaz, que os comunistas não são nazistas, que a foice não é a suástica, que Auschwitz é passado, que Jesse Owens não está nas pistas.

Porém mulheres são esterilizadas à força, a pena de morte impera, jornalistas são presos, igrejas são fechadas e a tortura e as detenções arbitrárias são política de estado.

Hoje, a tocha olímpica desfila pelas ruas de Lhasa, capital do Tibete.

Pois na história, como diria o escritor francês Alphonse Karr: Tudo muda, mas continua na mesma...


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