Os brasileiros imaginam que a crônica esportiva é jovem. Mas a crônica esportiva é antiga como o fogo. Anciã como as marés.
O nome de guerra era Diego Lucero. O nome de batismo Luis Alfredo Sciutto. Até 1998, o único jornalista a cobrir todas as copas do mundo. Mas Lucero foi muito mais que apenas um apaixonado pelo futebol. Tanto que quase foi fuzilado na Espanha com seu amigo Pablo Neruda.
Os franquistas não foram com a cara dos dois.
Sua escrita foi imortal.
Uruguaio, tomou de assalto a coluna esportiva no Clarín portenho. Quando o jogo se encerrava, os torcedores corriam às bancas de revista para ler 'O Minuto 91'. Minuto 91 que era o território de Lucero.
Pelé fez mais de mil gols. Lucero escreveu mais de mil crônicas.
Pois a literatura esportiva sem o craque é nua. O futebol sem a palavra é mortal e morre na primeira esquina.
Eduardo Galeano, tão uruguaio quanto Lucero, era seu fã. Porque todo amante do futebol sempre anseia pelo minuto 91. Sempre busca a palavra que explica o gol.
Lucero que cultivava o verbo e a amizade. Dizia que essa história de tempo é dinheiro é coisa de ingleses. Quando termina o trabalho, o dinheiro é deles. Do sulamericano é apenas o cansaço.
Antes de falecer, Lucero foi perguntado sobre o nosso tempo. Sério, ele respondeu:
"Vivemos tempos perigosos. Tempos em que a honra e a honradez já não têm valor. Onde tudo isso vai nos levar é para mim um grande mistério!"
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