
Marinho Chagas
Por ROBERTO VIEIRA
Eles eram abundantes em nossa terra. Tantos que alguns ficavam esquecidos. No banco.
Ontem, contra a Argentina, a triste constatação. Eles estão extintos. São apenas saudade em nosso futebol.
Tudo começou com o genial Nilton Santos. Criador e libertador dos laterais brasileiros.
Antes dele, lateral era half. Depois dele, lateral tornou-se um jogador por inteiro.
Defendendo com chuteiras de pelica.
Atacando como os mais talentosos pontas do nosso futebol.
Quis o destino que o antípoda de Nilton Santos fosse outro Santos, o Djalma. Pobre Skoglund.
Se com De Sordi já seria difícil, com Djalma tornou-se uma missão impossível penetrar em nossa retaguarda.
Todo mundo falava no 4-2-4, em Pelé, em Garrincha.
E o Brasil começava a conquistar o mundo pelas beiradas.
Foi pelas beiradas que continuamos vencendo nossos adversários com Carlos Alberto Torres. Capitão e carrasco do epílogo mexicano.
Depois de Carlos Alberto veio a bomba de Nelinho. Os avanços do potiguar Marinho Chagas. A coragem de Zé Maria.
Todos pediam pontas a Telê Santana, enquanto o mundo aplaudia extasiado Júnior e Leandro.
Até mesmo Edevaldo e Josimar tiveram seus minutos de fama acertando bombas milagrosas.
Para cada Brehme que a Alemanha produzia, o Brasil respondia com Jorginhos e Brancos.
Com a velocidade de Cafu. Com um chute de curva de Roberto Carlos.
Mas os técnicos começaram a deslocar o talento das laterais para o meio de campo.
Um dia foi Leonardo, no outro Mazinho. Até que a fonte secou.
Eles eram abundantes em nossa terra. Tantos que alguns ficavam esquecidos. No banco.
Ontem, contra a Argentina, a triste constatação. Eles estão extintos.
Com seu desaparecimento, o futebol brasileiro tornou-se igual aos outros. Previsível.
Retilíneo uniforme.
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