19 de jun. de 2008





Marinho Chagas

Por ROBERTO VIEIRA

Eles eram abundantes em nossa terra. Tantos que alguns ficavam esquecidos. No banco.

Ontem, contra a Argentina, a triste constatação. Eles estão extintos. São apenas saudade em nosso futebol.

Tudo começou com o genial Nilton Santos. Criador e libertador dos laterais brasileiros.

Antes dele, lateral era half. Depois dele, lateral tornou-se um jogador por inteiro.

Defendendo com chuteiras de pelica.

Atacando como os mais talentosos pontas do nosso futebol.

Quis o destino que o antípoda de Nilton Santos fosse outro Santos, o Djalma. Pobre Skoglund.

Se com De Sordi já seria difícil, com Djalma tornou-se uma missão impossível penetrar em nossa retaguarda.

Todo mundo falava no 4-2-4, em Pelé, em Garrincha.

E o Brasil começava a conquistar o mundo pelas beiradas.

Foi pelas beiradas que continuamos vencendo nossos adversários com Carlos Alberto Torres. Capitão e carrasco do epílogo mexicano.

Depois de Carlos Alberto veio a bomba de Nelinho. Os avanços do potiguar Marinho Chagas. A coragem de Zé Maria.

Todos pediam pontas a Telê Santana, enquanto o mundo aplaudia extasiado Júnior e Leandro.

Até mesmo Edevaldo e Josimar tiveram seus minutos de fama acertando bombas milagrosas.

Para cada Brehme que a Alemanha produzia, o Brasil respondia com Jorginhos e Brancos.

Com a velocidade de Cafu. Com um chute de curva de Roberto Carlos.

Mas os técnicos começaram a deslocar o talento das laterais para o meio de campo.

Um dia foi Leonardo, no outro Mazinho. Até que a fonte secou.

Eles eram abundantes em nossa terra. Tantos que alguns ficavam esquecidos. No banco.

Ontem, contra a Argentina, a triste constatação. Eles estão extintos.

Com seu desaparecimento, o futebol brasileiro tornou-se igual aos outros. Previsível.

Retilíneo uniforme.

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