18 de mar de 2017



Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM

Foto histórica, para mim inédita. Jogo do Náutico na cidade de Caruaru, em 1956, mais precisamente 15 de novembro, dia consagrado à proclamação da República. Tratava-se de uma partida não oficlal, aproveitando o feriado (era um dia de semana, uma quinta-feira). Amistoso contra um combinado Comércio-Central no velho estádio Pedro Victor, hoje Lacerdão. O Náutico venceu de goleada, 4x0. Dois gols de Ivson e dois de Geraldo José, que não aparece na foto, entraria no correr da partida no lugar do meia-esquerda Paulinho.
O time iniciou a partida tal qual informa o mestre Edgar Mattos. Apenas uma observação, motivo de posterior comentário do próprio Edgar: na foto, a ala-esquerda Paulinho-Jorginho tem os jogadores posicionados de maneira invertida, Jorginho e Paulinho. No mais, na mosca: Cavani, Caiçara e Lula; Nicolau, Givaldo e Nenzinho; Guedes, Ibiapina, Ivson, Paulinho e Jorginho. Formação inédita, segundo os apontamentos de Carlos Celso e Luciano, e que não mais seria repetida, a temporada de 1956 chegando ao fim logo a seguir (o amistoso foi realizado com o campeonato já encerrado para o Náutico, o Timba fora da disputa final).
Não conhecia a foto. Ela é histórica por uma razão bem mais relevante do que o amistoso ser disputado no dia que se festeja a República. Trata-se do único jogo em que o saudoso amigo Carlos Celso viu Ivson em ação, assumindo a partir daquele momento a condição de fã incondicional do encantador futebol exibido pelo grande artilheiro, um dos maiores da história do Náutico. Possivelmente terá sido também, o batismo de Celso como torcedor ao vivo de jogos do Náutico. Jovem adolescente, com apenas 13 anos de idade, interno do Ginásio, em Caruaru, não tinha como ir a jogos do time do coração, na época as partidas do Náutico disputadas somente na capital. Conversamos mais de uma vez sobre esse episódio, quando então tomei conhecimento de um detalhe do jogo que não esqueço, um motivo de alegria e boas recordações para ele, Celso. Ivson, revelado aos seus olhos de fã naquela tarde, estava para ser substituído no segundo-tempo. O jogo caminhava para o fim, e assim aconteceu, Ivson iria deixar o gramado, entrando em seu lugar o juvenil Maurício, já posicionado à beira do gramado esperando a bola parar para receber a autorização de entrar em campo. Foi quando Ivson marcou aquele que seria o seu segundo gol, um gol de mestre bem ao seu estilo. Uma arrancada a partir do meio do campo, dribles secos na corrida, os adversários ficando para trás, e um chute indefensável já dentro da área, lembra Celso. Uma maneira dele, Ivson, ser na saída ainda mais aplaudido do que era lícito esperar, depois de mais uma exibição de gala.
A foto ainda revela um detalhe que me leva ao mundo das lembranças: ao fundo, por trás do baixinho Givaldo, o último na fila em pé, está a casinha de Tutu, dentro do estádio, bem próxima à bandeirinha de escanteio pela esquerda, do lado da rua São Paulo. A casa era a residência do lendário jogador, um ícone na história do Central, e servia em dias de jogos de vestiária para os jogadores dos dois times, o da casa e o dos jogadores visitantes. Outra observação, essa histórica: o amistoso em Caruaru marca a estreia de Givaldo no time de cima. Recém-saído do juvenil, o centromédio Givaldo, hoje seria quarto-zagueiro, era irmão do treinador do time na ocasião, Gilberto Carvalho. O irmão, bem mais velho, foi como jogador um vitorioso nos Aflitos, campeão um sem número de vezes nos anos 40-50, e tinha assumido o comando técnico da equipe há bem pouco, na vaga deixada pelo carioca Oto Vieira, exatamente na reta final do campeonato. Havia inclusive marcado presença em uns poucos jogos, na condição de atleta já em final de carreira. Givaldo seria campeão pelo Náutico em 1960, e participaria com destaque como titular da Cacareco, a seleção pernambucana que representou o Brasil no Sul-Americano Extra do Equador, em 1959.
A foto, publicada previamente no Face do Blog do Roberto, destaca ainda, parcialmente ao fundo, o Monte Bom Jesus, algo que me serviu de pista no roteiro seguido para localizar, na publicação de Celso e Luciano, o jogo histórico, o único de Ivson como atleta do Náutico no Pedro Víctor, em Caruaru. E me fazer lembrar do gol para Celso feito por ele.


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