5 de jan de 2017



  ROBERTO VIEIRA

A vida é uma longa caminhada, em muitos aspectos semelhante a essas caminhadas que nos prescrevem os cardiologistas e endocrinologistas de plantão. Basta sair para caminhar em alguma alameda ou parque da vizinhança para nos certificarmos disso.

Existem aqueles que passam pela vida a toda velocidade, bólidos, Bolts. Seres de carne, osso e adrenalina. Algumas vezes nos reconhecem no azougue em que seguem e emitem um ‘oi’, ‘bom dia’, ‘boa tarde’, desaparecendo logo em seguida.

Encontramos também os mais lentos, câmara lenta, slow motion – como diriam os narradores do antigo futebol. Estão radiantes quando completam cem metros de andança. Felizes por demais se perfazem uma volta. Completamente realizados quando atingem mais um dia de amanhã.

Circulam pelas cidades também as manadas de amigos. Os rebanhos infinitos de corredores que se movem em algazarra e amizade pelas ruas e avenidas, dividindo o oxigênio necessário à vida. Gregários, filiais, familiares ao destino humano de não ser um só, nos comovem pela volta a infância nas passadas repletas de suor e risos.

Ontem, não pude sair para caminhar com minha colega de caminhadas. Tinha viagem e trabalho que me levariam pra longe. Faltei à caminhada, mas fiquei lembrando dos passos que não dei. Mais tarde ela me mandou uma mensagem: ‘Consegui correr um pouquinho mais. Acho que pra você é ruim me acompanhar, pois meus passos são menores...’

Sorri ao ler a mensagem. Lembrei-me da caminhada imensa que é a vida – e das caminhadas diárias que damos para nos manter saudáveis nessa mesma vida. Sorrindo, lembrei-me do trote da vida, um estilo de corrida que fazemos quando gostamos de alguém.

No trote da vida, nossos passos não são nem mais rápidos nem mais lentos do que os passos daquela pessoa querida que nos acompanha. Se ela (e) anda, nós andamos lado a lado. Se ela (e) corre, buscamos correr ao seu lado também. Porém, o nosso coração sempre tenta acompanhar os passos de quem habita ao nosso lado.

Este é o ritmo de nossa alma, de nosso corpo e do nosso coração.

A velocidade da luz pode ser uma estrada solitária.

O momento mais feliz de nossa caminhada é simplesmente acompanhar quem nos faz feliz... 


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