20 de dez de 2016



Por ROBERTO VIEIRA


A Guerra estava chegando na Inglaterra.

E o Diario de Pernambuco fazia uma reportagem inusitada.

Doping no futebol inglês.

O jogador Ricardo Gil, do Huracan, viajou à Inglaterra.

Lá acompanhou os jogos da Liga Inglesa.

O Wolverhampton do técnico Frank Buckley* voava.

Era um tal de 7 x 0 no Everton.

10 x 1 no Leicester.

Buckley que pregava o preparo físico e a pegada como receitas pra ganhar jogos.

Ricardo Gil só apontava um problema.

A Inglaterra estava de olho na amizade de Buckley com o cientista Menzies Sharp.

Sharp que cultuava o cientista russo Serge Voronoff.

Voronoff que aplicava um extrato de testículo de macacos para rejuvenescer a rapaziada nos anos 20.

Buckley desprezou os macacos.

Fez um extrato da pituitária, tireoide, supra renal e cérebro de bovinos.

Aplicou o material durante seis semanas na maioria dos atletas dos Wolves.

E garantiu que a turma voava em campo por causa disso.

Fulham, Preston, Tottenham e Portsmouth seguiram o tratamento.

E a final da Copa da Inglaterra em 1939 entre Wolves e Portsmouth.

Virou a Final das Glândulas de Macaco.

O Portsmouth venceu por 4 x 1.

E os Wolves provaram do seu próprio veneno... risos.

O tempo provou que eram todos um bando de loucos... até certo ponto.

Os nazistas procuravam o elixir da longa vida nas experiências macabras dos campos de concentração.

Foram derrotados.

Mas o doping voltou com a carga toda na Guerra e no pós Guerra.

Longe dos devaneios de pseudo-cientistas loucos.

Perto demais da tecnologia e da ciência de ponta.

* Apesar do bizarro da experiência, Buckley é corretamente considerado um revolucionário do futebol. Sem preparo físico não haveria esporte moderno.


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