22 de set de 2016



 Por ROBERTO VIEIRA

Alguns jogadores mudaram a história do futebol brasileiro.
Alguns poucos – embora a lista de craques seja extensa.
Todos eles foram como um clarão imenso.
Uma redescoberta do jogo de bola.
Uma revolução.
O primeiro foi Charles Miller, óbvio.
Charles ensinou o brasileiro a jogar.
Quando todos pensavam que já tinham visto tudo?
Friedenreich.
Quando El Tigre parecia sublime e inexcedível?
Veio Leônidas e suas bicicletas.
Um atacante feito de borracha e sorriso.
Na década de 50 estávamos perdidos.
Derrotados e complexados como nunca.
Os deuses nos mandaram não um, mas dois fenômenos:
Pelé e Garrincha.
E os dois cismaram de não perder nada juntos em campo.
Monotonia.
Apareceu Zico e suas cobranças de falta e pênaltis.
Seus dribles curtos.
O futebol moribundo renasceu nas noites de Buenos Aires e Montevidéu.
Todos eles, sem exceção, foram pichados e glorificados.
Deuses e demônios.
Tempo que passa.
Um belo dia o excepcional goleiro Rodolfo Rodrigues defende uma bola.
O Bahia já perdia por 4 x 0 do Cruzeiro.
Rodolfo deixa a bola no chão e dá esporro na defesa.
Quando Rodolfo olha pro chão, cadê a bola?
Um menino dentuço saía gritando gol.
O futebol brasileiro que andava borocochô, de novo, renasce.
O menino explode para o mundo em gols e arrancadas.
Faz delirar o Nou Camp.
Faz miséria ao lado de Romário.
Vai aos céus.
Desce aos infernos.
Literalmente falando.
Chorando no gramado em sua dor infinita.
Brilhando contra a Alemanha na final inesperada.
Ronaldo se tornou no maior conto de fadas do nosso futebol.
Sete jogadores fantásticos.
Sete epopeias dentro e fora do campo.
Pelé e sua caixinha de engraxate.
Pelé chorando machucado em 1962 e 1966.
Pelé esculhambado em 1969.
Pelé trazendo a Jules Rimet em 70.
Zico sofrendo calado com seu irmão preso no DOPS.
Zico acusado de ser jogador de Maracanã.
Miller vendo sua amada nos braços da poesia.
Friedenreich velho e desmemoriado.
Leônidas preso por Getúlio.
Garrincha cirrótico num hotel de quinta categoria.
E Ronaldo.
Velho e gagá em Paris.
Lesão no tendão patelar contra o Lecce.
Ronaldo desabando na sua volta contra a Lazio.
Claro.
Não dá pra saber ainda do final da história.
Ronaldo tem apenas 40 anos.
Mas ele habita o território único.
Olimpo.
O altar dos sete jogadores que mudaram a história do nosso futebol.

·         Com todo respeito e admiração a... Julinho, Romeu, Zizinho, Romário, Tostão e por aí afora! 


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