8 de ago de 2016



Por ROBERTO VIEIRA

Deixando de lado esportes coletivos...
O Brasil participa dos Jogos Olímpicos desde 1920.
A primeira medalha negra individual veio em 1952 – teve bi em 1956.
Pelos saltos do refinado Ademar Ferreira da Silva.
Outra medalha negra, ou mulata.
Veio em 1984 com Joaquim Cruz.
Hoje, 32 anos depois, veio mais uma medalha negra de ouro.
A quarta em esportes individuais.
Rafaela Silva foi a terceira afrodescendente a ganhar medalha.
Outros ganhadores podem ter o pé na cozinha como FHC.
Mas apenas estes três tem a cor do pecado, segundo Bororó.
O fato por si explica nossa miséria olímpica e social.
Somos uma nação que triunfa nos esportes errados.
Somos campeões de corrupção e violência.
Mas não temos piscinas olímpicas nas escolas.
Nem quadras de basquete.
Nem quadras de tênis.
O esporte que é arma fundamental na educação e cidadania.
Depende dos descendentes de europeus e dos heróis.
Heróis das favelas e comunidades.
Heróis que descartam o sonho do futebol e abraçam maratonas.
Mesmo com tanto heroísmo.
94 anos de história olímpica levaram apenas Ademar, Joaquim e Rafaela ao pódio.
Muito pouco para o segundo maior país negro do mundo.
Claro que a medalha de ouro é um detalhe.
Medalhistas de ouro já são todos aqueles que sonham.
Todos aqueles que sonham sob o destino infinito das senzalas virtuais.
E sonhar no pelourinho chamado Brasil já é digno de um recorde mundial.
Digno de um salto triplo na vida.


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