23 de abr de 2016




ROBERTO VIEIRA

Muitas vezes me sinto um galês, ou irlandês.
Um apaixonado por futebol que nunca chega à Copa do Mundo.
Um apaixonado por futebol que desconhece a glória de um título – todos ficaram no passado.
Comparecer aos estádios parece o ato de exercer uma velha fé.
A fé em uma religião distante cujos fiéis desaparecem no tempo.
Acho que o sentimento é generalizado entre alvirrubros.
Lutamos e gritamos por uma religião prestes a se extinguir.
Renovamos nossos votos a cada domingo sem saber se sobreviveremos ao próximo domingo.
Pois, não bastassem as ameaças do Clube dos 13 e da globalização do futebol.
Nós também perdemos terreno em nossa própria paróquia.
Talvez seja cobrar muita responsabilidade de nossos jogadores.
Nenhum craque.
Nenhum fora de série.
Apenas rapazes aplicados e correndo em campo.
Desejamos que eles nos deem o passado quando mal podem com a bola do presente.
Todos, ou quase todos, desconhecem a história do clube.
São ciganos do futebol – como de resto, quase todos os que jogam bola atualmente.
Quem chora e sofre são os torcedores, entre os quais me incluo.
Neste domingo estarei em campo.
Pois sou alvirrubro, como são os galeses e irlandeses.
Loucos que acreditam que seu país significa alguma coisa fora dos seus corações.
Os últimos druidas do planeta Terra.
E esta fé e paixão imemorial e inexplicável, nacionalista e fanática.
Esta fé e paixão irão comigo até o fim.
E irá até o fim com milhares de outros alvirrubros.
Porque nosso país é o Náutico.
Não somos apaixonados por futebol.
Somos reféns de uma paixão chamada Clube Náutico Capibaribe.
E, peço perdão ao Senhor.
Se um dia, quem sabe, jogarem a seleção celestial e o Náutico.
Eu sou inferno desde criancinha.
E se meu destino é ser um só.
Quero ser um só com Lucídio, Celso, Edgar e todo esse monte de gente que ama o vermelho e o branco...


Um comentário:

  1. Marcelo Lins diz:
    Muito bom esse texto, Roberto. Verdadeiro e profundo, digno de reflexão.
    Também complementando outro texto, queria dizer que na vida podemos sim nos mirar em bons exemplos.
    O exemplo do santa de recuperação é muito bom, inclusive na condução política do clube.
    Também queria citar o exemplo do América MG que sem grandes cotas de tv começa a recuperar seu espaço.
    Enfim, apesar dos fatos dizerem o contrário, ainda tenho fé que o Náutico volte a dar a alegria de um título a sua torcida.

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Comentários