6 de mar de 2016



Por ROBERTO VIEIRA

Palmas para o marketing da FIFA.
Temos agora REPLAY.
Diante da corrupção universal no futebol.
Temos agora REPLAY.
Nelson Rodrigues se revira no túmulo.
Pois o REPLAY é burro, burrinho da silva.
Ou será que não, Nelson?
O que aconteceria caso o REPLAY existisse nas antigas Copas do Mundo?
Em 1938, teríamos visto o pontapé de Domingos da Guia.
Pontapé que aparece de soslaio nas gravações fascistas daquela Copa.
Em 1954, a Hungria teria empatado a final com Puskas.
Puskas que não estava impedido no minuto final.
1962 teria o Brasil de fora das quartas de final.
A esperteza de Nilton Santos punida.
O gol de bicicleta da Espanha validado.
A final de 66?
Nenhum REPLAY confirmaria se foi gol ou não de Hurst.
Justamente porque o REPLAY é burro.
Mas nesse caso haveria o recurso do smartwatch.
1970 teria revertida a marmelada do árbitro egípcio Aly Hussein Kandil.
Falta para El Salvador cobrada pelo México na cara de pau.
Isso se o Estádio Asteca permitisse.
Pois é, o futebol abraça a tecnologia finalmente.
Por força do marketing.
A medida é salutar e vai diminuir a sensação de injustiça do jogo.
Aquela sensação de que nosso time perdeu com um gol de mão impedido na prorrogação.
O futebol vai parecer mais puro, mais inodoro, mais incolor.
A verdade absoluta será universal.
Júnior Baiano não vai se queixar da Noruega.
Trezentas mil câmeras vão apontar o mordomo.
Ou será que não?
Porque legal mesmo seria REPLAY nas salas atapetadas da FIFA.

Onde não entram smartwatches nem gol.


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