23 de mar de 2016



Por SÉRGIO GALVÃO

Primeiramente, gostaria de ressaltar que não faço parte da atual diretoria, em quem votei no último pleito. Também não faço mais parte do Conselho do Clube. Sou tão somente um sócio-torcedor e me manifesto aqui nessa condição. Fui diretor jurídico e vice-presidente jurídico do clube por 10 anos, e como a quase totalidade dos alvirrubros apoiei a ida do nosso Náutico para a Arena Pernambuco, e a assinatura do contrato com o Consórcio. Dito isso, passemos a discorrer sobre essa celeuma criada em virtude da rescisão do contrato entre o Estado de Pernambuco e o Consórcio que administra a Arena Pernambuco, com quem nosso Clube tem contrato assinado e vigente. Bom, é compreensível que a torcida esteja angustiada por uma solução célere do caso, e que exija que tal solução implique num retorno para o Estádio dos Aflitos. Esse é o papel da torcida e ela já deixou claro que quer voltar para casa. Incompreensível é a conduta de alguns alvirrubros que fazem parte do Conselho do Clube, tentando conduzir açodadamente o assunto, não custando lembrar que alguns desses conselheiros em questão fizeram parte da última diretoria executiva que, apesar de ter litigado com o Consórcio por dois anos seguidos, não teve a “coragem” de rescindir o contrato celebrado com o mesmo, graças a Deus. E não o fez porque sabia que o Clube não poderia assim proceder. A multa nesse caso é milionária e o Náutico não aguentaria ter de suportá-la. Um outro problema é que o nosso querido Estádio dos Aflitos está destruído. Desde que mudamos de casa o mesmo foi literalmente abandonado, inclusive por alguns dos que querem o retorno imediato à velha casa e prometem queimar na fogueira quem tenha opinião contrária. Sua reforma custará milhões que não temos. Mas tal reforma tem de ser feita, pois de fato provavelmente precisaremos jogar no nosso velho Estádio. É obrigação do atual presidente executivo, como era dos seus antecessores, restaurar esse patrimônio do Clube e tenho certeza de que isso será feito. Não num passe de mágica, mas com muito trabalho e sacrifício, como tem de ser, sem bravatas lançadas na imprensa, como outrora, mas devagar, silenciosamente. O que nos trás ao ponto chave da questão: o Náutico não pode e não deve antecipar os acontecimentos. O Presidente precisa esperar. Precisa esperar para saber como o Consórcio irá proceder diante da conduta do Governo do Estado de Pernambuco. Nosso contrato anda está vigente, data venia entendimentos contrários. Lembro que o contrato atual permite inclusive que o Consórcio transfira seus direitos sobre a Arena para terceiros, até mesmo para o Governo de Pernambuco, caso em que os direitos do Clube deverão ser respeitados. Se isso ocorrer não haverá nem como pensar em rescindir o contrato. Não acredito que isso venha ocorrer, mas temos de esperar a comunicação do consórcio para daí nos manifestarmos e agirmos. Com o rigor e dureza que a situação exige, mas sem bravatas e falsas promessas. Qualquer medida açodada pode colocar tudo a perder, porque na medida em que o desfecho se aproxima fica mais do que claro que o Náutico é a única vítima nesse caso e o único prejudicado diretamente pela relação Estado x Consórcio, além, é claro, de toda sociedade pernambucana. Não podemos passar de vítima a vilão, daí a correta conduta do Presidente do Clube em esperar calado os acontecimentos para então agir. Por fim, lanço uma pergunta à comunidade alvirrubra: quem pagará a conta da Justiça do Trabalho (R$400.000,00 por mês) que vem sendo paga mensalmente pela verba da Arena??? Nosso retorno aos Aflitos gerará renda suficiente para isso, o que nunca ocorreu anteriormente??? A questão está longe de ser simples como muitos, inclusive membros da imprensa, tentam convencer o torcedor alvirrubro.   

* Mestre Sérgio Galvão foi diretor jurídico e vice-presidente jurídico do clube por 10 anos


5 comentários:

  1. Antonio (que sempre foi contra a Arena Oernambuco, o Itaquerão, Manaus, Natal, Cuiabá, Brasília,... Odebrecht... Lula... )23 de março de 2016 15:37

    Caro amigo Sérgio Galvão,

    bom texto...

    às vezes sou atrevido...

    como considero-me recifense pois desde 1985 visito essa belíssima cidade sem falhar 1 ano sequer, além de nela ter vivido por 6 anos... atualmente a visito, pelo menos, umas 4 vezes ao ano...

    sempre me senti muito bem naquele adorável ambiente da Rosa e Silva...

    sabes, para os padrões atuais do futebol brasileiro... não será por muito tempo que Pernambuco terá 3 times de ponta.. e olhes lá se tivermos 2 (aqui já brinquei sobre o Pernambuco F.C., e isso já faz uns 10 anos)... os times, as torcidas vào morrendo aos pouquinhos... Américas, Portuguesa, Paraná, Guarani, Remo, etc. estão aí... e a essa lista outros irão se juntar... continuam a existir... mas, inexpressivos para o futebol brasileiro...

    a vida é assim... acho até que a essa lista possa se juntar, um dia, o meu querido Santos... felizmente, por lá há um eterno espírito jovem e renovador... isso é o que nos têm mantido, ainda, lá em cima...

    sempre disse aqui que adoraria ver o nosso querido Náutico nessa mesma linha... o Náutico sendo o Santos do nordeste... todos os meninos, pais, representantes o procurando para o início de uma carreira futebolística...

    e quanto ao campo... sempre fui a favor dos Aflitos... lá há espaço para uma arena de 30.000 torcedores... (o exemplo do Palmeiras poderia ser seguido)...

    quanto à Arena, lá longe... temo que com ela o Náutico seja um dos Américas, Portuguesa...

    bem, poderia continuar... só que vocês, meus queridos amigos, estão mais por dentro do que eu... das questões sérias que envolvem tudo isso...


    1 abraço.

    ResponderExcluir
  2. Prezado Sérgio,

    Seu texto tem razão na parte central em que diz que deve-se aguardar a consumação da relação Estado x Arena.

    Em relação a situação dos Aflitos, acredito, que há um equivoco. A situação dos Aflitos atual é decorrência da ida para a Arena e não da gestão anterior. Ninguém vai investir em algo que vai virar shopping.

    Como acredito ser equivocada a afirmação de que o Náutico teria muita dificuldade de reformar os aflitos. Podemos fazer um planejamento de cinco anos para estruturar os aflitos para uma pequena arena em boas condições. Basta querer e a torcida quer. Os aflitos podem nos levar a série A e você sabe bem que no patamar de Série A, agente faz tudo em um ano. Basta querer, repito.

    Por fim, tendo sido diretor jurídico, você sabe que o contrato da Arena só dá ao Náutico aquilo que ele recebia de média nos Aflitos. E pior, só garante isso no FINAL DO ANO. Ou seja, atualmente, o Náutico vem recebendo apenas as receitas de jogos, o que está diminuido pela metade, já que o público foi reduzido pela metade. A receita da ARENA, portanto, é inferior a dos aflitos e só se torna igual ao final do ano. Péssimo! Isso sem falar que nos aflitos nos temos várias variáveis de receita que não temos na Arena, além de plano de sócios, que também não temos na ARENA. Então, torçamos que esse contrato acabe para o bem do Náutico!



    "Por fim, lanço uma pergunta à comunidade alvirrubra: quem pagará a conta da Justiça do Trabalho (R$400.000,00 por mês) que vem sendo paga mensalmente pela verba da Arena??? Nosso retorno aos Aflitos gerará renda suficiente para isso, o que nunca ocorreu anteriormente??? A questão está longe de ser simples como muitos, inclusive membros da imprensa, tentam convencer o torcedor alvirrubro.

    ResponderExcluir
  3. Só para concluir, Não é verídica a afirmativa abaixo. O Náutico não vem recebendo mensalmente a garantia mínima e não receberá mais, pois assim não está previsto no contrato. Pelo que acho que deveria alterar sua conclusão abaixo pois não é verdadeira.

    "Por fim, lanço uma pergunta à comunidade alvirrubra: quem pagará a conta da Justiça do Trabalho (R$400.000,00 por mês) que vem sendo paga mensalmente pela verba da Arena??? Nosso retorno aos Aflitos gerará renda suficiente para isso, o que nunca ocorreu anteriormente??? A questão está longe de ser simples como muitos, inclusive membros da imprensa, tentam convencer o torcedor alvirrubro.

    ResponderExcluir
  4. Fico pensando, que o jurídico da arena foi sensacional, teve nessa assinatura do contrato vários ótimos advogados e que o Náutico foi o oposto, uma verdadeira desgraça de assessoria.

    Fica claro no seu texto como as coisas foram mal feitas para o Náutico, existir a possibilidade de mudar o gestor e mesmo assim o Náutico ficar atrelado a arena é mais um absurdo nesse contrato.

    Outra coisa que você afirma no texto, a arena não paga mensalmente ao clube (algo que deveria se encontrar no contrato), mas recebe no fim do ano, antes recebíamos mensalmente, pois, a arena queria pagar assim, mas não existe essa obrigação.

    E se você fica indagando onde o Náutico retiraria esse dinheiro, vamos lá, a renda da arena não era nossa, ficávamos com algo irrisório, fiz um simples calculo o Náutico tendo uma média de 8000 por jogo ao ano (algo nada impossível para os aflitos), em um valor médio do ingresso a 25 reais (calculando por baixo), temos de renda bruta 200 mil reais por jogo. calculando que teremos 32 jogos em um ano que não jogaremos a copa do NE, nossa renda bruta em bilheteria iria para 6,4 milhões de reais, tire uma parte de 30% para pagar dividas e custos com o estádio de manutenção ordinária, vamos para 4,480 milhões.

    Ai pergunto, se vivemos mais de 100 anos sem a arena, por qual motivo não conseguiríamos viver

    ResponderExcluir
  5. Marcelo Lins diz:
    Sou a favor da volta aos aflitos, mas com a calma e a prudência que a situação exige, e nisso concordo com o cerne do texto de Sérgio.
    O Conselho, hoje formado praticamente por membros da antiga diretoria, age de maneira política, basta um olhar mais atento para a situação. Vejamos alguns pontos:
    Em janeiro de 2015 a antiga gestão do Náutico queria fazer um empréstimo dando como garantia o contrato do CNC com a Arena, o conselho do clube não aprovou tal fato, e foi dado como vilão pelos antigos gestores. Esse ato preservou nossa receita futura e que por ventura pode até ser exigida na esfera judicial, em caso de rompimento do contrato.
    No fim de 2015 o Náutico anuncia o jogo com o Bahia para o Arruda, o que poderia gerar um outro problema contratual, felizmente isso não ocorreu, mas só demonstrava a falta de habilidade na condução dos fatos. Também vale afirmar que todos esses dirigentes votaram a favor da ida do Náutico para a Arena Pernambuco. Aliás, tenho a convicção que qualquer dirigente do CNC seja ele da atual, da antiga, do MTA, ou de qualquer outra corrente do Náutico não iria naquele momento negar os pedidos do saudoso governador Eduardo Campos. Também acho que jogar na imprensa que com R$ 1.500.000,00 os aflitos está apto a receber jogos, é algo falacioso, pois basta uma visita ao estádio(sem contar a parte interna de vestiários) que veremos o estado precário do Eládio de Barros Carvalho.
    Sérgio, é muito feliz no seu texto, pois se o lermos com atenção veremos que o autor defende o retorno aos aflitos, porém reformando o estádio adequadamente e com uma postura inteligente em relação ao contrato existente.
    Penso que devemos jogar a maioria dos jogos nos aflitos, mas podendo sim jogar também na Arena, como bem faz o Santos do nosso amigo Antônio.
    Diferentemente daqueles que jogam para a torcida, a postura de Marcos Freitas atualmente é digna de um gestor responsável, e merece o respeito do sócio alvirrubro.

    ResponderExcluir

Comentários