24 de jan de 2016



O velório de Mestre Celso será às 11 horas no MORADA DA PAZ








Sempre será muito difícil falar do Mestre Celso. Porque ao falar de Celso, tantas são as qualidades que devemos utilizar para descrevê-lo que apenas quem conheceu Celso pessoalmente vai acreditar ter ele existido.
Menino de Tabira, eterno pensamento na mãe que partiu tão cedo e lhe deixou marcas tão profundas, estudante de precisões geométricas impensáveis em seus cadernos de escola, sorriso discreto no rosto de olhos claros e sinceros.
Acho que Celso não pode ter existido.
Pesquisador único. Preciso, pragmático, apaixonado, perfeccionista. Um dos maiores que esta terra já conheceu. Tudo numa alma de engenheiro que sempre conseguia enxergar os dois lados da vida e dos fatos – e deles retirar o melhor.
Mas toda a esplendorosa capacidade laborativa de Celso não seria nada se não estivesse a serviço da bondade, da lealdade, da sinceridade sertaneja, da mais transparente alma de muitas que conheci.
Celso era Celso. Nem uma vírgula mais nem menos.
Celso que dividia seu trabalho e conhecimento com a serenidade e a gentileza dos imensos de coração.
Pernambuco fica mais pobre – o futebol de Pernambuco, então, perdeu um dos seus profetas do Testamento. O homem que registrou cada instante da bola rolando. O homem que realizou um trabalho gigantesco com a modéstia dos sábios e o suor dos operários.
Poderia estar triste nesta manhã de domingo de sol errante e fugidio, mas a lembrança do amor e carinho dos filhos de Celso nos instantes finais de sua vida – amor e carinho que foram tão fundamentais para ele e o fizeram lembrar de sua mãe, perdida na infância – só me permitem imaginar.
Imaginar que estamos tristes.
Mas que em algum lugar, Celso está contente e contando seus causos para sua mãe...


7 comentários:

  1. Adeus Celso. Adeus CCC.
    Carlos Henrique

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  2. Marcelo Lins diz:
    Tive a oportunidade de conviver com Carlos Celso, essa grande figura humana ao frequentar treinos do Náutico nos aflitos.
    Me lembro bem da última vez que estive em sua residência para comprar um livro de estatística da Santa para presentear um senhor de mais de 90 anos, parente de minha querida Roberta. Expliquei a ele que o Santa era uma das maiores alegrias daquele senhor, e Celso ficou curioso com a estória e preocupado em atender o pedido.
    Tenho em um local especial de minha casa todos os livros do Náutico, e todos de Celso em relação ao nosso CNC.
    Tenho um imenso carinho por Celso e seu filho: meu amigo, Luciano Guedes Cordeiro.
    Me recordo bem de Carlos Celso saindo dos aflitos ainda no meio do segundo tempo, acho que aconteceu o mesmo na vida. Celso se despediu de nós mais cedo,

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  3. Não consegui voltar a tempo para ir ao velório Roberto. Perda imensurável... vai estar olhando pro Náutico sempre.

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  4. Belíssimo texto do Mestre Roberto para uma justa homenagem ao grande alvirrubro Carlos Celso Cordeiro que, por suas inúmeras qualidades, deixa uma grande lacuna em todos nós!

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  5. Lindo texto Roberto. Bela homenagem
    Agradeço em nome da família o carinho de todos com o nosso Carlos Celso.
    Júlio Cordeiro - irmão

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  6. Bruno Rodrigo Gouveia Pereira25 de janeiro de 2016 17:36

    Fiquei muito triste quando soube. Voltei hoje de viagem e não pude dar meu último adeus ao grande mestre. Não haverá outro Carlos Celso, pois é simplesmente insubstituível. Partiu cedo, assim como Givanildo Alves (1934-2000). Foi conversar sobre o futebol pernambucano com outro ídolo meu, que teve mais tempo entre nós: Manoel Heleno Rodrigues dos Santos (1922-2011).

    Sabia, como poucos, separar as coisas. Me recebeu sempre muito bem, eu que sou rubro-negro, em seu apto no Edf. Gabriela, na Marechal Deodoro (Encruzilhada). Estive umas 5 ou 6 vezes em sua residência para adquirir livros e dirimir algumas dúvidas sobre o nosso futebol.

    Com imenso prazer, colaborei com algumas correções em seu gigantesco Banco de Dados. As mais recentes: informei-lhe sobre o jogo Bahia 5x3 Santa Cruz (09/05/1954). Verificamos que esse duelo constava em seu BD, mas não passou para o livro do Santa. Alertei-o também sobre o confronto Sport 2x7 América-RJ (02/02/1928). No caso dessa partida, o problema foi que no livro do Sport consta o triunfo americano, mas pelo modesto score de 2x1 e não o placar real de 7x2 para o América-RJ. Esse jogo também consta no BD, mas ele me disse que confundiu o 7 com o 2 (natural para quem lida com tantos números) e registrou erroneamente o placar da derrota do Sport e o erro passou para o livro.

    Carlos Celso, como já disse, separava as coisas. Nunca deixou a rivalidade falar mais alto, sendo sempre cordial quando estivemos juntos. Respeitava as diferenças. Me escreveu em mensagem de email que guardo até hoje: "sua maneira de torcer, Bruno, é bonita e emociona. Modéstia à parte, torço igual a você: intensamente, mas de forma civilizada". Não precisa dizer mais nada...

    E eu disse pessoalmente a ele: pra mim, o maior "rival" do Sport é o Náutico e o clássico entre eles é o maior de PE, como o próprio nome diz ( clássico dos clássicos). Os números não mentem, é o nosso jogo mais equilibrado. Respeito muito o Náutico, tanto que tenho todos os seus livros. O Náutico é o nosso irmão mais velho (do Sport). Carlos Celso sorria gostosamente quando eu lhe dizia essa convicção que tenho...Prefiro ficar com essa inesquecível imagem dele.

    Fica com Deus meu amigo e ídolo Carlos Celso Cordeiro. Sua missão foi cumprida. Salvasse do esquecimento a memória do futebol de PE. Deixaste muitos seguidores. Vou sentir saudades das nossas conversas...

    Que Deus conforte a família; abençoe e encoraje Luciano, Lucídio, Roberto e todos nós a tentarmos levar à frente e à sua altura tua obra.

    Como diria Vargas, Carlos Celso Cordeiro deixou esta vida pra entrar na História!

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  7. Muita saudade. E uma falta enorme. Não vou mais ouvir do outro lado da linha quando ligava para tirar uma dúvida, bater um papo, saber das novidades: "Mestre Lucídio!" Vida que segue. Fica a saudade e a lição de vida. Que descanse em paz!

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Comentários