25 de dez de 2015



Como terá sido o Natal em Recife cem anos atrás?
Fui consultar jornais da época e me surpreendi. Ao contrário do que podemos imaginar numa época sem celulares e whatsapp, o Natal foi pra lá de animado - bem ao contrário da Europa em guerra.
Templos lotados. Casas de diversão idem. Os veículos da Tramways, responsável pelo transporte público na capital trabalharam por toda a madrugada.
A Madre de Deus teve missa celebrada à meia noite pelo Frei João Augusto. Após o ato religioso, queima de fogos.
A Matriz de Santo Antônio teve missa do Monsenhor Joaquim Francisco e adoração da luxuosa Lapinha.
A Matriz da Boa Vista - onde fui batizado quarenta e nove anos depois - assistiu à Missa celebrada por três padres e repleta de cânticos.
No Largo da Paz, bairro de Afogados, duas bandas alegraram a multidão. O Cordeiro estava iluminado e a banda do 49º Batalhão de Caçadores deu o tom de alegria. Brincadeiras populares animaram a Caxangá pequenininha de então. Pastoris, bois, mamulengos se espalharam pela Várzea, Casa Forte, Espinheiro, Campo Grande, Barro, Porto Madeira.
Olinda e suas luzes brilharam na Igreja do Bonfim.
Não houve violência. As famílias passearam certas de que voltariam sãs e salvas para casa.
Havia pobreza, é verdade. Mocambos convivendo com casarões. Mas havia uma esperança no ar naquela noite de que podíamos ser felizes com trabalho, fé e harmonia.
Recife era feliz em sua inocência e não sabia...


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