Por ROBERTO VIEIRA
O Brasil já teve presidente de tudo que é jeito.
Teve quem curtisse mais cavalo que gente.
Teve presidente criado com paçoca.
Presidente nascido em Ipioca.
Presidente que foi ditador e depois voltou nos braços do povo.
Presidente que carregava uma vassoura nos ombros.
Presidente descrevendo marimbondos em fogo.
E até presidente que escrevia cartas falsas para se eleger.
Porém, todos eles jamais teriam a coragem de fazer o elogio da ignorância.
Pelo simples fato da ignorância ser pecado mortal em nossa infância.
Acreditem os mais novos!
Houve um tempo neste país que os pais queriam seus filhos na escola.
Sonhavam com seus filhos doutores.
Sabendo ler e escrever corretamente.
A cultura era um bem extremamente valioso em Pindorama.
Era... tempo pretérito.
Desde 2002, a ignorância deixou de ser vergonha para ser pré-requisito.
Como se o cidadão por ser pobre devesse se acostumar com a ignorância.
Contentar-se com a macunaímica esperteza.
Livros?
Besteira!
O importante mesmo era chegar ao Poder e proclamar aos ventos:
'Sou ignorante de pai e mãe!'
Viriato Correia e Monteiro Lobato estariam escandalizados.
'Que país é esse?'
Mas deve-se entender o raciocínio do cidadão.
Sendo ignorante de pai e mãe, o cidadão pode argumentar que não sabia de nada.
Que não sabe de nada.
Que o mal foi causado pelos cidadãos com anel de doutor.
Sendo ignorante de pai e mãe, tudo que vier é lucro.
Porque um ignorante quando faz algo certo é genial.
Sendo ignorante de pai e mãe, existirá sempre o charme de comandar uma educação de quinta categoria.
Afirmando que esta educação é de primeira.
Sendo ignorante de pai e mãe, de preferência proclamando que não lê livro algum.
O cidadão entra no rol dos anjinhos de Rousseau.
Rousseau que elogiava o selvagem como expressão de santidade.
Rousseau que tinha um conhecimento enciclopédico pra falar do que não sabia.
Então, chegamos a este ponto notável da nossa história.
Ponto em que um presidente se vangloria da própria ignorância.
Ponto em que muitos se vangloriam de te-lo como presidente.
Ponto em que deixamos de ambicionar o conhecimento, o estudo e a cultura.
E nos refastelamos com as frases de feito sem efeito algum.
O Brasil não merece esse elogio, meus amigos!
O Brasil de Castro Alves, Drummond e Vinícius não merece esse ponto final.
Chega do elogio da ignorância.
Um país se faz com homens e livros.
Escolas e professores.
Macunaíma é conversa pra boi dormir...

Parodiando Rui Barbosa, de tanto ouvir se exaltar a ignorância o homem até se envergonha de ser letrado. Isso o faz um abominável participantes "das zelites" responsáveis por tudo que de ruim acontece neste país...
ResponderExcluirNem fazer apologia da ignorância, como fez Lula; nem a demonizar, como sugeriu o acadêmico FHC, fazendo menção, inclusive, ao Nordeste. Faltou equilíbrio (e sobrou ignorância) a ambos. Péssimo exemplo!
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