24 de jun. de 2014






Por ROBERTO VIEIRA

Annibale Frossi acaricia a bola na noite de Berlim...



Míope e apaixonado por futebol.

Frossi tanto insistiu que sua mama permitiu.

Óculos no rosto - seguros firmemente com elástico na nuca.

Óculos permitidos na década de 30 no futebol.

Óculos que resistiram até os anos 50 nas Copas.

Mas era preciso provar-se craque na vida dos campos a cada jogo.

Portanto.

Frossi enfrentava com valentia as peladas em Muzzana del Turgnano.

Os adversários se surpreendem no início.

Mas depois partem pra violência diante da velocidade do menino.

Violência respondida com gols.

E foram esses gols determinantes para se imaginar craque na velha Bota.

Tarefa ingrata.

Estreando aos 18 anos na Udinese.

Atuando na Série B e C italiana.

Soldado no exército de Mussolini.

Estudando para se formar em direito.

Invadindo a Etiópia.

Frossi é descoberto por Vitorio Pozzo que toma uma decisão surpreendente.

Frossi vai para os Jogos Olímpicos de Berlim.

A Itália é campeã do mundo.

Hitler quer a medalha de ouro.

Mussolini não quer chatear o amigo.

A Itália de Pozzo segue com uma equipe de jovens sonhadores.

Uma zaga com Foni e Rava.

Futuras legendas do calcio.

Annibale Frossi acaricia a bola na noite de Berlim.

A terra do sonho é a primeira adversária.

Os Estados Unidos que fora terceira colocada na Copa de 30.

Estados Unidos que esnobaram o futebol nas Olimpíadas de 1934, em Los Angeles.

O sonho de Pozzo parecia pesadelo.

Os Estados Unidos resistindo nas defesas de Bartkus.

Até que... um italiano de óculos surge do nada e marca aos 11 minutos do segundo tempo.

Mussolini recebe a notícia sorridente.

Annibale Frossi vira notícia em Berlim.

Hitler decide que o futebol precisa ser remodelado.

Derrota na estréia diante da Noruega.

A Noruega é o Jesse Owens dos campos de futebol.

Eixo na segunda partida.

A Itália pega o Japão.

Inocente Japão que se prepara para dominar o Pacífico.

A Itália goleia por 8x0.

Frossi marca um hat trick.

Assume a artilharia do torneio.

A Itália está nas semifinais.

Mas o próximo encontro é diante dos surpreendentes noruegueses.

Osso duro de roer.

Frossi checa novamente a bagagem.

Os óculos reservas estão na mala.

A Azzurra sai na frente com Negro.

A Noruega empata com Brustad. Prorrogação.

E Frossi marca o gol da vitória sob os pés de Holmsen e Ulleberg.

Final.

Mussolini fica preocupado.

A semifinal teve um juiz austríaco.

A final é contra a Áustria, terra do Fuhrer.

Áustria treinada pelo genial Meisl, mestre de Vitorio Pozzo.

Áustria derrotada nas semifinais da Copa de 34 pelos italianos.

Pra completar, o juiz será o alemão Bauwens.

Os herdeiros do Wunderteam têm o apoio das arquibancadas.

Anschluss antes do tempo.

Mas Frossi está impossível.

Balança as redes aos 25 minutos do segundo tempo.

A Itália faz festa.

O título está próximo... mas Kainberger empata aos 35 minutos.

Prorrogação.

Annibale Frossi acaricia a bola na noite de Berlim.

A bola com a qual marcou o gol da medalha de ouro na prorrogação.

A bola que prometera a sua mama em Udine.

Mussolini liga para Hitler.

Míopes são os alemães...








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