24 de out. de 2013






Por EDGAR MATTOS, MdM

Meu caro Roberto, seu texto cobra de mim, um dos Conselheiros que aprovaram a ida para a Arena, algumas observações. Ei-las.

a) realmente, como lhe "confessei", em conversa pessoal, o Conselho Deliberativo do Náutico que aprovou a nossa ida para a Arena, contra apenas dois votos, não teve acesso ao teor integral do contrato sob a alegação de uma tal "cláusula de confidenciabilidade"; 

b) no entanto, os "pontos fundamentais da contratação" foram apresentados e submetidos ao plenário do CD por uma comissão - de cuja idoneidade não tínhamos porque duvidar -especialmente designada pelo Conselho para representar o clube nas negociações; 

c) dentre esses "pontos" estavam, por exemplo, os critérios da participação do Náutico na receita decorrente da arrecadação dos seus jogos anunciados então como calculados sobre a renda BRUTA dos jogos, enfatizando-se que não teríamos qualquer responsabilidade sobre as despesas com a manutenção do estádio, nem com aquelas decorrentes do funcionamento da Arena nos dias de jogos; 

d) recentemente, por provocação do então conselheiro Newton Moraes, tomamos conhecimento de que, ao contrário do anunciado, a participação assegurada ao Náutico incidia apenas sobre a renda LÍQUIDA, deduzidas todas as despesas...

e) com o silêncio cúmplice e conveniente da administração do Náutico, plantou-se a ideia da "Arena Timbu"  quando aquele espaço não nos pertence, dele sendo nosso clube apenas mero usuário, nem mesmo sendo detentor de exclusividade desse uso; 

f) nessa condição de mero usuário, a única garantia contratual que temos (?) é a de que nenhum outro clube, em futuras e eventuais negociações, desfrutará de condições contratuais superiores às estabelecidas conosco; 

g) as questões de acesso relacionadas com o transporte, embora do interesse do Consórcio, não dependem diretamente da administração da Arena; são geridas pelo governo do Estado através das administrações do Metrorec e da EMTU (?); 

h) o injustificável favorecimento concedido aos torcedores do Sport no jogo de ontem, no que concerne ao funcionamento do Metro para além das 23 horas, e do acesso dos ônibus ás proximidades do estádio, somente encontra explicação no esforço do governo - e do Consórcio - para seduzir o clube da Ilha a aderir ao uso da Arena; a discriminação com nosso clube ficou muito evidente e deveria ser motivo de enérgico protesto de toda comunidade alvirrubra; 

i)  talvez seduzida pela verba mensal que nos foi antecipada durante a temporada passada, e que ajudou muito o clube na manutenção do seu elenco, parece-me que a comissão se conduziu de forma muito tímida na negociação com o Consórcio, não explorando devidamente a especialíssima condição de representar o Náutico, então, a única opção de utilização da Arena; de resto, continuamos a nos comportar, perante o Consórcio, com uma posição muito subalterna, muito passiva, sem pugnar pelos nossos interesses; 

j) quanto aos "sinais de alvirrubridade" na Arena, eles se restringiriam - segundo entendi - a um sistema de "efeitos especiais de luzes coloridas" - ainda não implantado - na parte externa do estádio, a funcionar nos dias de jogos do Náutico, passíveis de mudança ( para outras cores, inclusive rubro-negras ) quando da utilização do espaço por outros clubes. Ou seja, não somos - repita-se - "donos da Arena", nem mesmo seus exclusivos usuários.

Finalizando, devo dizer que, ainda assim, mesmo admitindo que poderíamos ter obtido melhores condições contratuais, aprovaria novamente nossa ida para a Arena, por vincular essa decisão a uma outra - esta, sim, essencial para o futuro do nosso clube - a disponibilização da valorizada área onde se situa o  agora desativado estádio dos Aflitos para uma exploração comercial capaz de assegurar ao clube um rendimento mensal significativo e perene, sem alienação patrimonial, em negociação conduzida com a indispensável competência, seriedade, transparência, na qual sejam consultados os reais interesses do nosso clube. Por isso - e só com essa visão de futuro - concordei com nossa ida á Arena. E, por enquanto, não me arrependi.


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