Celso
Muniz nasceu americano.
12 de abril.
Aniversário do
América Futebol Clube.
Filho de José Bernardo Araújo, presidente e
torcedor ferrenho do Centro Limoeirense.
Celso pertence a uma família
de craques.
Oito dos seus irmãos jogaram pela equipe da Princesa do
Capibaribe.
Celso preferiu defender as cores esmeraldinas.
Treinando
no juvenil do América sob o comando do antigo técnico e jogador
Astrogildo Néri.
Crescendo
nas peladas de rua do bairro de Areias onde morava quando criança,Celso foi despertado na paixão pelo grêmio da Estrada do
Arraial através da amizade com os filhos do vizinho de seu pai, o
escritor Sócrates Times de Carvalho.
Ali, no barra a barra disputado
quando voltava da escola, o América era sempre a das equipes dos
sonhos da criançada.
Celso
cresceu e aprendeu a frequentar o América.
Corria o ano de 1968 e
Thomas Edison era o presidente da agremiação desde 1965.
Certa
noite, Celso foi convidado para reunião na casa do comerciante Zé
Lobo.
Acompanhado do amigo Adílson Castelo Branco, Celso chega ao
encontro marcado sem saber do convite que o aguarda. Ao entrar, uma
pista: a foto gigante do time do América, campeão de 1944, envolta
na bandeira do Campeão do Centenário.
Naquela noite, um grupo de
eminentes americanos, entre eles o antigo vizinho, Sócrates Times de
Carvalho, além de Lula Cabral, Adalberto Veras e Fernando Tasso de
Souza lançou o convite: queremos você presidente do América!
Celso
Muniz ficou emocionado, mas a tarefa era árdua: pediu vinte e quatro
horas para pensar no assunto. Eram tempos de intenso trabalho sob o comando do governador Nilo Coelho, tempos em
que decidira cursar a Faculdade de Direito – sonho antigo tornado
realidade.
Como conciliar tantos afazeres com a paixão americana?
O
coração falou mais alto.
Celso convocou José Ramos de Almeida, o
famoso 'Zezé' do Café Beberibe para seu candidato a
vice-presidência. A eleição ganhou a mídia como das mais acirradas disputas já ocorridas no
futebol pernambucano.
Abertas as urnas, Celso Muniz tornou-se
presidente do América pela diferença de apenas um voto.
O seu vice,
José Ramos empatou com Laudo Soares, candidato da situação. Pelos
estatutos do clube, José Ramos assumiu o cargo pois, no critério de
desempate, tinha mais idade que o adversário.
A
posse foi um momento histórico na vida do América. Thomas Edison
transmitiu o cargo, entregando as chaves do clube e a medalha de
mérito do Recife que havia recebido em nome da agremiação
esmeraldina.
No
seu discurso de posse no dia 17 de janeiro de 1969, o novo presidente
mencionou Benjamin Gonçalves, Augusto Gomes, Valfrido Moura, Irineu
de Pontes Vieira, Sócrates Times de Carvalho, Mauro Branco, a família
Moreira, Bravo, Guerra e Loio. Afirmou que a batalha eleitoral se
encerrava naquele instante, conclamando a união entre todos aqueles
que amavam o América.
Sob o comando de Celso Muniz, o América foi campeão pernambucano de aspirantes, batendo o Náutico de Bita na última partida por 1x0.

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