12 de mai. de 2008



O Santa Cruz vive dias de Watergate.

O presidente Edson Nogueira, o popular Edinho, eleito em 9 de dezembro de 2006, não se entende com a torcida. Edinho que assumiu um clube pré-falimentar. Um clube que tinha apenas três jogadores profissionais em seu plantel. Edinho que foi o único presidente eleito pela oposição na história do clube.

Mas o futebol vive de resultados, e os resultados do Santa em 2007 e 2008 foram os piores possíveis. Em rota de colisão com o mandatário coral, 275 sócios convocaram uma Assembléia Extraordinária para a próxima terça-feira. Edinho garantiu nas rádios a realização da Assembléia durante as últimas semanas.

Porém, num drible de corpo, conseguiu de última hora um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça de Pernambuco suspendendo o encontro.

Parte da torcida e dos sócios pede o impeachment do presidente. Impeachment que não é um processo criminal, e sim político. Impeachment que nos acostumamos a ver nos episódios de Nixon e Collor.

O Santa Cruz vive dias de Série C, mas o grande medo no Arruda é a novidade da CBF: A criação da Série D. E o medo não é infundado. A campanha do tricolor no campeonato pernambucano foi vergonhosa. Classificou-se em sétimo lugar e esteve durante algumas rodadas sob risco de rebaixamento. Carlinhos Paraíba, uma das revelações do clube, foi embora para o Coritiba. Outra, Thiago Capixaba, desvinculou-se do clube na justiça.

Não há time. Não se pode sequer abrir uma conta em banco para contribuições. Enquanto isso o grande investimento da gestão Edinho foi a compra de um moderno ônibus. Ônibus que será muito útil nas intermináveis viagens pelo interior do Brasil este ano.

Edson Nogueira já teve dias de glórias e decepções no futebol. Foi preparador físico do Sport em 1975, ano em que o rubro negro quebrou um jejum de doze anos sem título. Foi treinador do Náutico em 1987 e seu diretor técnico em 2000 com resultados pífios. Mas nada se compara aos dias de hoje. Dias de Watergate tricolor.

Conversando com um torcedor do Santa Cruz, ele me confidenciou que o que mais assusta a torcida não é exatamente a possibilidade de ver Edinho no poder até o final do ano.

Mas a possibilidade de sua reeleição em dezembro de 2008.

Como para se reeleger é preciso ter votos de alguém, resta a conclusão de um clube dividido. Em plena guerra civil.

Um clube, um presidente e uma torcida que ainda não perceberam que a vaidade só marca gol contra.

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