8 de jul. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA*


Cuba é um fenômeno. Pátria dos revolucionários e sonhadores de todo o mundo, a pequena ilha caribenha conseguiu feitos notáveis na educação, saúde e esportes após a Revolução em 1959.

A saúde dos cubanos é digna de primeiro mundo, embora a mortalidade materna seja compatível com o terceiro. Grande parte deste avanço se deve a melhor nutrição e a educação de qualidade, aspectos significativos na prevenção de doenças. O médico de família é regra em todo o país.

Mas e o profissional médico? Como será a vida nesta cidadela?

O médico cubano tem direito a casa e comida. Recebe o equivalente a quarenta dólares mensais. Cirurgias e atendimento ambulatorial ocorrem com o mínimo de tecnologia. Acesso à internet é limitado a trinta minutos semanais. Existem pouquíssimas clínicas privadas. O governo domina a imensa maioria dos postos de atendimento.

Vinte e duas são as faculdades de medicina no país. O número de médicos per capita é o dobro daquele registrado nos EUA. O que fazer com o excedente?

Exportação.

A exportação de mão de obra médica é responsável por uma receita anual maior que a obtida com o turismo.

O médico cubano no exterior não vê a cor deste dinheiro. Os valores obtidos no intercâmbio são remetidos diretamente para Cuba e permanecem numa poupança. O médico só recebe os vencimentos se retorna ao país.  

O Brasil tem muito a aprender com o modelo cubano. Um modelo que privilegia o atendimento primário a população. Porém, tal modelo só funciona se a educação também passa a ser encarada com seriedade. Tal modelo só funciona se o poder público for pensado com responsabilidade.

Mesmo com todo esse avanço na solução dos problemas de saúde em Cuba, um viés permanece na mente de todos que trabalham e vivem neste mundo. O médico de Cuba não é um cidadão livre. Seu destino é subordinado a vontade do Estado, seus ganhos são limitados pela vontade do Estado, seu ir e vir é limitado pelas amarras do Estado.

Um homem, um médico, um cidadão pode ser feliz sem liberdade?

Vale a pena uma sociedade com índices invejáveis de saúde e grilhões nas mãos dos profissionais que cuidam desta saúde?

E, principalmente, pode o Brasil conviver com o exercício da medicina realizado por colegas médicos que não possuem liberdade?

Por escravos de jaleco?

Por médicos que terão seus vencimentos entregues diretamente ao governo cubano?

São muitas as perguntas. Muitas as dúvidas.

Da resposta destas perguntas, da resolução destes problemas, depende a saúde do povo brasileiro...



·         Roberto Vieira é titular do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Preceptor da Residência do Hospital de Olhos Santa Luzia

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Um comentário:

  1. O homem não vive sem pão. Mas a Liberdade é o pão do espírito.

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