1 de dez. de 2025





COPA 2026 E A CHAVE DA MORTE DE 1970: A LIÇÃO DO SORTEIO PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA

​Por Roberto Vieira

HISTÓRIA DO SORTEIO

​O sorteio da Copa do Mundo FIFA de 1970, realizado na Cidade do México em janeiro daquele ano, lançou um drama imediato sobre a Seleção Brasileira. O Brasil, cotado como favorito, foi lançado no que a imprensa da época imediatamente classificou como o grupo mais difícil do torneio.

  • ​A seleção foi designada como cabeça de chave do Grupo 3, com sede em Guadalajara.
  • ​O sorteio colocou o Brasil frente a frente com os atuais campeões do mundo: a Inglaterra.
  • ​Completaram o "Grupo da Morte" as seleções da Tchecoslováquia e da Romênia, duas equipes europeias que garantiam o altíssimo nível da disputa.

ANÁLISE ESTATÍSTICA DA CHAVE

​A concentração de força no Grupo 3 era notável. O confronto entre o Brasil e a Inglaterra era o mais esperado, reunindo os dois principais candidatos ao título.

  • ​A chave brasileira foi amplamente chamada de "chave da chave", concentrando a maior parte da força do torneio.
  • ​Apesar da preocupação, o técnico inglês, Alf Ramsey, demonstrou otimismo com os resultados do sorteio.
  • ​Registros da época indicam que a FIFA, atenta à complexidade e ao desgaste físico da competição, tomou providências para evitar a prática do dopping durante a fase de jogos no México.

REAÇÃO E LEGADO

​A notícia do sorteio não foi bem recebida pela comissão técnica brasileira, sinalizando a dificuldade extrema que o time teria logo no início da campanha. O desânimo foi registrado pelos jornais.

  • ​Os cinco treinadores brasileiros que acompanhavam o sorteio, liderados por João Saldanha, manifestaram desânimo com o resultado.
  • ​A reação de Saldanha, no entanto, buscou um lado positivo: "O jogo é manso. [...] Se temos que jogar contra os fortes, que seja logo de saída: É melhor."
  • ​O Grupo 3 foi o primeiro passo para a consagração do time de 1970, que superou o "Sorteio da Morte" e, posteriormente, venceu Peru, Uruguai e Itália na campanha.

ANÁLISE DOS RISCOS DO SORTEIO COPA 2026

​A Copa do Mundo de 2026, com 48 seleções e 12 grupos de quatro equipes, possui um novo regulamento de sorteio que, teoricamente, minimiza o risco de uma "Chave da Morte" tão concentrada quanto a de 1970.

  • Regra da Distribuição Geográfica: As regras atuais da FIFA limitam o número de seleções da mesma confederação em um grupo (exceção para a UEFA). Este limite será ajustado para 12 grupos.
  • Definição por Potes (Ranking): O sorteio de 2026 será baseado rigorosamente no ranking da FIFA (Potes 1 a 4), garantindo que as cabeças de chave (como o Brasil) só enfrentem seleções de Potes inferiores.
  • O Risco Remanescente: Apesar das proteções, o risco de um grupo difícil persiste. Um Grupo pode ter a seleção cabeça de chave, uma forte seleção europeia (não ranqueada no Pote 1, como aconteceu com a Inglaterra em 70), uma forte seleção africana (CAF) e uma asiática (AFC), criando um cenário de adversários de alta complexidade.
  • O Desafio da Viagem: Diferente de 1970 (único país-sede), o maior risco para 2026 será logístico, com jogos distribuídos entre Canadá, Estados Unidos e México, exigindo maior preparo e adaptação das equipes para as longas viagens e as diferentes condições climáticas.

 



0 comentários:

Postar um comentário

Comentários