MAIS UM 3X2
ROBERTO VIEIRA
Meu carinho pela Hungria é quase inexplicável. Quase. Porque existe Puskas e o Golden Team de 1954. Nunca estive em Budapeste. Berna eu passei perto, mas achei melhor ignorar. Fritz Walter podia estar por lá.
Não ir a Berna, no entanto, não me livrou do peso de um placar. O 3x2 de 1954 não foi só a derrota na final da Copa; foi a perda de uma invencibilidade histórica, o trauma de uma nação que viu o time mais brilhante do mundo desabar em um lamaçal.
E a história, que adora uma rima, nos trouxe o eco desse luto neste final de semana. Mais um 3x2, desta vez para a Irlanda, com a derrota selada nos acréscimos.
A partida parecia controlada, a classificação encaminhada, mas, de repente, o ângulo se fecha, a pressão sobe. Em vez de Rahn virando o jogo, vieram os gols que macularam o placar.
Assistir às lágrimas do Capitão Szoboszlai foi revisitar o vestiário sombrio de 1954. Não há diferença entre a dor da derrota épica no apito final e a dor da virada que não se esperava. A Hungria tem a sina de nos dar a beleza pura e, logo em seguida, a tragédia em três atos e dois gols sofridos. Um 3x2 para fazer chorar.
Claro que a heroica Irlanda nada tem a ver com isso. O futebol é essa tragédia escrita por chuteiras sonhando por um momento de gol.
Até os próximos 90 minutos.
Até o próximo 3x2.
E você? Qual a tragédia que te fez mortal?

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