
Não quero me referir aqui àquelas pessoas que, por deformação psicológica, se julgam sempre alvo de algum tipo de perseguição. Para essas, até a Natureza - as condições climáticas, por exemplo - conspira contra seus planos: ora é o sol que é demasiadamente inóspito, ora é a chuva que se faz inoportuna.
Quero
reportar-me, particularmente, ao mundo do futebol onde a Teoria da Conspiração
tem uso dos mais freqüentes, sendo uma das principais desculpas de certos
torcedores apaixonados para as frustrações dos seus clubes. Normalmente,
invocam-se sistemáticas manipulações da Federação e, como parte delas, a
tendenciosidade de juízes e bandeirinhas, a influir, decisivamente nos
resultados.
Só que aqui, não
são raras as vezes em que o sempre desconfiado torcedor não está a enxergar “cabelo
em ovo”... Ou seja, ainda que não seja regra geral, em alguns casos a tal conspiração
existe mesmo. Não é raro que haja, realmente, uma manifesta preferência da
presidência da mentora maior dos esportes por determinado filiado, a se
refletir, desde a confecção da tabela até a escala de árbitros, talhados para
favorecerem, da forma mais disfarçada - ou, despudoradamente, bem ostensiva – a
atuação do time da simpatia da Federação.
Salvo quando
descamba para níveis exacerbados, fazendo a natural desconfiança assumir os
contornos doentios de uma crônica mania de perseguição, é até bom que os
torcedores estejam atentos a essas manobras, preferível do que se manterem
acomodados em sua ingênua boa fé.
No entanto, como
uma atitude de defesa do pleno exercício do meu ofício de torcedor, sedimentado
sempre numa inabalável esperança de dias melhores, recuso-me a aderir ao
império dessa teoria da conspiração que, se admitida como prática contumaz,
tornaria completamente inglória a disputa por títulos (pelo menos em nível
local...).
Agora, o que não
aceito mesmo – e até me deixa irritado – é essa mania de se atribuirem
insucessos da nossa equipe a complô de jogadores. Como se eles fossem grandes
craques, capazes de dosar o seu “talento” e o seu esforço ao sabor de suas
conveniências. Na parte do “talento”,
então, parece-me muito difícil – para não dizer impossível – que jogadores
tecnicamente medíocres consigam, de propósito, serem piores do que,
habitualmente, são. Afinal, o espaço entre o ruim e o péssimo é tão pequeno que
a diferenciação se faz uma imperceptível sutileza. Já no que concerne ao empenho
reconheço que, a depender do grau de motivação, poderá ser maior ou menor. Daí
se acreditar no incentivo dos “bichos”. Mas, ainda nesse aspecto, acho que o
suposto “corpo mole”, se não muito bem disfarçado, se manifestaria de forma tão
evidente que exporia à execração da torcida o atleta ostensivamente
displicente. Sobretudo quando se tratasse de um jogador cuja característica
fosse, exatamente, o vigor físico, a raça, a disposição. Do contrário, seria
admitir estarmos tratando com autênticos atores, vocacionados mais para a
ribalta do que para a bola... Além do mais, para os integrantes de uma equipe
de futebol, perder nunca é bom negócio. Perder de propósito, então, seria
sempre um “tiro no pé’. Na maioria das vezes, a derrota representa para o jogador uma sangria no bolso, uma perda de 'status' profissional, um desprestígio.
Por isso, amigos,
essa é uma espécie de teoria da conspiração na qual não acredito. No caso do
Náutico atual, então, as derrotas se devem a vários fatores, notadamente às
limitações da equipe. Atribuir algum insucesso desse nosso time a uma sabotagem
dos jogadores é, para mim, hipótese inadmissível. Falácia de quem,
desavisadamente, espera dos medíocres
muito mais do que a mediocridade...
É, pelo menos, o
meu Ponto de Vista !
Nota: fique claro que, para mim, o time
do Náutico, apesar de flagrantemente limitado, vem fazendo bem mais do que eu esperava...No
contexto da geral precariedade, tem até chances de classificação. Torço,
fervorosamente, por isso!
Show de bola nos primeiros 90 minutos do Mestre Edgar!!!!
ResponderExcluirEdgar, gostei muito do texto. Até hoje tento convencer as pessoas, e não me dão muito crédito, de que joguei futebol por mais de 20 anos, e não conheci em nenhuma das equipes, e foram várias, jogadores que fizeram corpo mole. Aí no nordeste, exceto o Sport, os demais clubes pagavam com atraso de até 3 meses, e os jogadores viviam de vales semanais. Ora, se já era difícil para os clubes pagarem em dia, as derrotas e consequente baixas rendas, só fariam piorar a situação. Por isso, quando pisávamos o gramado, esquecíamos de tudo, e buscávamos a vitória, único meio de melhorar a situação. A conspiração está em outros setores.
ResponderExcluirNão há o que contestar ou contra-argumentar. É isso mesmo. Aliás, esse nosso time, pra mim, já é um milagre está onde está (e se brincar...)
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