1 de set. de 2015




 Por EDGAR MATTOS 

Não quero me referir aqui àquelas pessoas que, por deformação psicológica, se julgam sempre alvo de algum tipo de perseguição. Para essas, até a Natureza - as condições climáticas, por exemplo -  conspira contra seus planos: ora é o sol que é demasiadamente inóspito, ora é a chuva que se faz inoportuna.
Quero reportar-me, particularmente, ao mundo do futebol onde a Teoria da Conspiração tem uso dos mais freqüentes, sendo uma das principais desculpas de certos torcedores apaixonados para as frustrações dos seus clubes. Normalmente, invocam-se sistemáticas manipulações da Federação e, como parte delas, a tendenciosidade de juízes e bandeirinhas, a influir, decisivamente nos resultados.
Só que aqui, não são raras as vezes em que o sempre desconfiado torcedor não está a enxergar “cabelo em ovo”... Ou seja, ainda que não seja regra geral, em alguns casos a tal conspiração existe mesmo. Não é raro que haja, realmente, uma manifesta preferência da presidência da mentora maior dos esportes por determinado filiado, a se refletir, desde a confecção da tabela até a escala de árbitros, talhados para favorecerem, da forma mais disfarçada - ou, despudoradamente, bem ostensiva – a atuação do time da simpatia da Federação.
Salvo quando descamba para níveis exacerbados, fazendo a natural desconfiança assumir os contornos doentios de uma crônica mania de perseguição, é até bom que os torcedores estejam atentos a essas manobras, preferível do que se manterem acomodados em sua ingênua boa fé.
No entanto, como uma atitude de defesa do pleno exercício do meu ofício de torcedor, sedimentado sempre numa inabalável esperança de dias melhores, recuso-me a aderir ao império dessa teoria da conspiração que, se admitida como prática contumaz, tornaria completamente inglória a disputa por títulos (pelo menos em nível local...).
Agora, o que não aceito mesmo – e até me deixa irritado – é essa mania de se atribuirem insucessos da nossa equipe a complô de jogadores. Como se eles fossem grandes craques, capazes de dosar o seu “talento” e o seu esforço ao sabor de suas conveniências.  Na parte do “talento”, então, parece-me muito difícil – para não dizer impossível – que jogadores tecnicamente medíocres consigam, de propósito, serem piores do que, habitualmente, são. Afinal, o espaço entre o ruim e o péssimo é tão pequeno que a diferenciação se faz uma imperceptível sutileza. Já no que concerne ao empenho reconheço que, a depender do grau de motivação, poderá ser maior ou menor. Daí se acreditar no incentivo dos “bichos”. Mas, ainda nesse aspecto, acho que o suposto “corpo mole”, se não muito bem disfarçado, se manifestaria de forma tão evidente que exporia à execração da torcida o atleta ostensivamente displicente. Sobretudo quando se tratasse de um jogador cuja característica fosse, exatamente, o vigor físico, a raça, a disposição. Do contrário, seria admitir estarmos tratando com autênticos atores, vocacionados mais para a ribalta do que para a bola... Além do mais, para os integrantes de uma equipe de futebol, perder nunca é bom negócio. Perder de propósito, então, seria sempre um “tiro no pé’. Na maioria das vezes, a derrota representa para o jogador uma sangria no bolso, uma perda de 'status' profissional, um desprestígio.
Por isso, amigos, essa é uma espécie de teoria da conspiração na qual não acredito. No caso do Náutico atual, então, as derrotas se devem a vários fatores, notadamente às limitações da equipe. Atribuir algum insucesso desse nosso time a uma sabotagem dos jogadores é, para mim, hipótese inadmissível. Falácia de quem, desavisadamente,  espera dos medíocres muito mais do que a  mediocridade...
É, pelo menos, o meu Ponto de Vista !

Nota: fique claro que, para mim, o time do Náutico, apesar de flagrantemente limitado, vem fazendo bem mais do que eu esperava...No contexto da geral precariedade, tem até chances de classificação. Torço, fervorosamente, por isso!




3 comentários:

  1. Show de bola nos primeiros 90 minutos do Mestre Edgar!!!!

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  2. Edgar, gostei muito do texto. Até hoje tento convencer as pessoas, e não me dão muito crédito, de que joguei futebol por mais de 20 anos, e não conheci em nenhuma das equipes, e foram várias, jogadores que fizeram corpo mole. Aí no nordeste, exceto o Sport, os demais clubes pagavam com atraso de até 3 meses, e os jogadores viviam de vales semanais. Ora, se já era difícil para os clubes pagarem em dia, as derrotas e consequente baixas rendas, só fariam piorar a situação. Por isso, quando pisávamos o gramado, esquecíamos de tudo, e buscávamos a vitória, único meio de melhorar a situação. A conspiração está em outros setores.

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  3. Não há o que contestar ou contra-argumentar. É isso mesmo. Aliás, esse nosso time, pra mim, já é um milagre está onde está (e se brincar...)

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Comentários