2 de set. de 2015




Por HAROLD KELLY  




Sempre é a mesma discussão e a polêmica se instaura quando surgem as pesquisas de torcida indicando qual é a maior.

Com certeza é motivo de orgulho, faz bem ao ego, saber que o seu time tem a maior torcida. Mas não é com o ego que se gerencia um negócio. Deixemos isso com o torcedor.

Meu objetivo aqui é outro: interpretar esses números com foco em negócios. Especificamente, QUALIFICAR esses torcedores.

Antes de mais nada é preciso entender, e falo dos clubes, que o torcedor é um CLIENTE. São desses clientes que o clube obtém, direta ou indiretamente, os seus recursos pra montagem de times competitivos. Indiretamente porque, por exemplo, além de outros motivos, os patrocinadores e TVs tem interesse nesse público.

Conhecer bem quem são os seus torcedores é básico. É de pouca utilidade saber apenas “se é ou não é torcedor”.

E mais, qualquer outro negócio/empresa sonha em poder ter o que os clubes tem: a FIDELIDADE absoluta dos seus clientes. Ninguém sai por aí trocando de time ao sabor dos ventos. Isso vale ouro!

Pois bem, juntei (respeitando a estatística e a coerência) algumas das mais importantes pesquisas feitas sobre as torcidas e as interpretei de forma que pudessem qualificar melhor os torcedores.

Tomei como base pesquisas da Pluri Consultoria e da Plural Pesquisas e junto com dados do IBGE e de outras pesquisas de outros institutos (para validar os números) cheguei aos dados que apresento aqui.[1]

A Pluri fez um trabalho fantástico quando segmentou o universo dos torcedores em:

·         Fanático
·         Torcedor
·         Simpatizante
·         Indiferente

O segmento Fanático carece de maiores explicações: já é muito provavelmente sócio, tem sempre os mais novos uniformes do time, não perde um jogo do seu time e se possível acompanha o time fora de casa, “mata-e-morre” por ele, etc. Já o segmento Torcedor é um pouco mais light. Nem sempre é sócio, um dia quando passar perto da loja compra o último lançamento do uniforme, vai à maioria dos jogos e defende sem paixões extremadas o seu time do coração. Esses dois tipos de torcedores são bem semelhantes e podemos juntá-los em um grupo que a Pluri chamou de Engajados.

Os segmentos Simpatizante e Indiferente são os pouco engajados, digamos os Descomprometidos. Não vou detalhar cada um deles por ser relativamente óbvio e não ser relevante (o detalhe) como veremos depois.

Essa segmentação é crucial para as estratégias de marketing dos clubes e das empresas-parceiras. Por exemplo, uma campanha de sócio para os Engajados é necessariamente, obrigatoriamente, diferente da campanha para os Descomprometidos e estes também dificilmente comprariam um pacote de futebol na TV. Então esquecer os Descomprometidos? De forma alguma!

Para se ter uma ideia e uma referência, segundo a Pluri a torcida Brasileira está assim segmentada:

·         Fanático      è 12%
·         Torcedor       è 53%
·         Simpatizante è 17%
·         Indiferente     è 18%

Ou seja, 65% dos torcedores brasileiros são Engajados.

Como era de se esperar, os dois clubes gaúchos, Grêmio e Internacional, têm o maior engajamento da sua torcida. Os torcedores Fanáticos do Grêmio são 22,5%, quase o dobro da média nacional.  No total, a torcida gremista Engajada soma 79%. Já o Inter tem 19,4% de Fanáticos e o total da Engajada é 75,4%. Esses dois times também tem os menores índices nacionais de Indiferentes: 7,6% e 8,2% respectivamente.

Digamos que até aqui o que escrevi foi um preâmbulo. Na Parte II desse texto eu comento a situação dos três times pernambucanos com outros dados e um enfoque que os institutos de pesquisas/consultorias não exploraram. Algumas surpresas e outras tantas preocupações.








[1] Os números absolutos não são relevantes. O importante é a ideia e o conceito.


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