Por HAROLD KELLY
Sempre é
a mesma discussão e a polêmica se instaura quando surgem as pesquisas de
torcida indicando qual é a maior.
Com
certeza é motivo de orgulho, faz bem ao ego, saber que o seu time tem a maior
torcida. Mas não é com o ego que se gerencia um negócio. Deixemos isso com o
torcedor.
Meu
objetivo aqui é outro: interpretar esses números com foco em negócios. Especificamente,
QUALIFICAR esses torcedores.
Antes de
mais nada é preciso entender, e falo dos clubes, que o torcedor é um CLIENTE. São desses clientes que o
clube obtém, direta ou indiretamente, os seus recursos pra montagem de times
competitivos. Indiretamente porque, por exemplo, além de outros motivos, os
patrocinadores e TVs tem interesse nesse público.
Conhecer
bem quem são os seus torcedores é básico. É de pouca utilidade saber apenas “se
é ou não é torcedor”.
E mais,
qualquer outro negócio/empresa sonha em poder ter o que os clubes tem: a FIDELIDADE absoluta dos seus clientes.
Ninguém sai por aí trocando de time ao sabor dos ventos. Isso vale ouro!
Pois
bem, juntei (respeitando a estatística e a coerência) algumas das mais
importantes pesquisas feitas sobre as torcidas e as interpretei de forma que
pudessem qualificar melhor os torcedores.
Tomei
como base pesquisas da Pluri Consultoria e da Plural Pesquisas e junto com
dados do IBGE e de outras pesquisas de outros institutos (para validar os
números) cheguei aos dados que apresento aqui.[1]
A Pluri
fez um trabalho fantástico quando segmentou o universo dos torcedores em:
·
Fanático
·
Torcedor
·
Simpatizante
·
Indiferente
O segmento
Fanático carece de maiores explicações: já é muito provavelmente sócio, tem
sempre os mais novos uniformes do time, não perde um jogo do seu time e se
possível acompanha o time fora de casa, “mata-e-morre” por ele, etc. Já o segmento
Torcedor é um pouco mais light. Nem sempre é sócio, um dia quando passar perto
da loja compra o último lançamento do uniforme, vai à maioria dos jogos e
defende sem paixões extremadas o seu time do coração. Esses dois tipos de
torcedores são bem semelhantes e podemos juntá-los em um grupo que a Pluri
chamou de Engajados.
Os
segmentos Simpatizante e Indiferente são os pouco engajados, digamos os Descomprometidos. Não vou detalhar cada
um deles por ser relativamente óbvio e não ser relevante (o detalhe) como
veremos depois.
Essa
segmentação é crucial para as estratégias de marketing dos clubes e das empresas-parceiras.
Por exemplo, uma campanha de sócio para os Engajados é necessariamente,
obrigatoriamente, diferente da campanha para os Descomprometidos e estes também
dificilmente comprariam um pacote de futebol na TV. Então esquecer os
Descomprometidos? De forma alguma!
Para se
ter uma ideia e uma referência, segundo a Pluri a torcida Brasileira está assim
segmentada:
·
Fanático è 12%
·
Torcedor è 53%
·
Simpatizante
è 17%
·
Indiferente è 18%
Ou seja,
65% dos torcedores brasileiros são Engajados.
Como era
de se esperar, os dois clubes gaúchos, Grêmio e Internacional, têm o maior
engajamento da sua torcida. Os torcedores Fanáticos do Grêmio são 22,5%, quase
o dobro da média nacional. No total, a
torcida gremista Engajada soma 79%. Já o Inter tem 19,4% de Fanáticos e o total
da Engajada é 75,4%. Esses dois times também tem os menores índices nacionais de
Indiferentes: 7,6% e 8,2% respectivamente.
Digamos
que até aqui o que escrevi foi um preâmbulo. Na Parte II desse texto eu comento a situação dos três times
pernambucanos com outros dados e um enfoque que os institutos de
pesquisas/consultorias não exploraram. Algumas surpresas e outras tantas
preocupações.

Brilhante... e faz pensar!
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