11 de dez. de 2014





Por ROBERTO VIEIRA

O futebol é assim como a mulher amada.
Mulher amada que se ama de longe.
Mulher envolta em desejo e mistério.
Uma mulher de olhares embriagadores e definitivos.
Paixão a qual nos entregamos de corpo, alma e imaginação.
Paixão que prossegue eterna, exceto ao tentarmos cortejar a nossa mulher amada.
O futebol é assim.
Um espetáculo grandioso e belo na distancia da arquibancada.
Espetáculo que hipnotiza nosso olhar de criança.
Palco cinematográfico de heróis e vilões, semideuses e mitologias.
Pode ser num reles campo de pelada, no recreio da escola ou num campinho chinfrim de interior.
O futebol nos domina os desejos e se perpetua.
Porém, existe sempre o perigo de querer viver um grande amor.
O risco de sepultar Casablanca e ficarmos com Ilsa.
Quem sabe dando um tiro no tal Victor Lazlo?
Então, chegamos bem perto da mulher amada.
Entregamos flores e buscamos um beijo.
Descoberta terrível!
A mulher amada é apenas anseio de nossa solidão humana.
Quando a tocamos e beijamos, desaparece o mistério da fé.
Seu sorriso de esfinge é mais falso que as esfinges do cinema.
Seu olhar é diabólico.
Seu beijo é de olhos bem abertos.
A mulher amada e o futebol são tudo...
Menos romance e final feliz.
Conselho então, meu camaradinha?
Deixe o futebol e a tal mulher amada da infância na distancia.
Ame de longe.
Mande beijos, cartões de aniversário e flores.
Mas não procure conhecer as noites e subterrâneos da sua paixão.
Você pode perder todas as suas ilusões...


7 comentários:

  1. Absolutamente fantástico, Roberto. Perfeito, abstraio até o futebol desse seu texto. me fez lembrar até os belos versos de amores perdidos do Chico, Vinicius e Jobim.

    ResponderExcluir
  2. Belíssimo texto, Roberto. Só um Poeta como você consegue exprimir com tanta propriedade e beleza seus sentimentos. Já os simples mortais, como eu, mendigos da poesia, desprovidos de metáforas, são mais pedestres em seus desabafos. Com essa advertência, ouso reproduzir aqui os "conselhos" que dei ao grande Osvaldo lá no Face:
    "Amigo Osvaldo: esse é o papel do torcedor: comentar, sugerir e - quando for o caso - criticar. E, mesmo que não sejamos ouvidos, independentemente dos resultados do nosso time - nossa obrigação é a de torcer sempre. A favor, é claro; jamais, contra. Sejam quem forem os dirigentes. Aliás, política em clube de futebol, só em período eleitoral. A mesma paixão torna comum o interesse pelo sucesso. A vitória não tem donos. A amargura é de todos. Agora, a responsabilidade maior, evidentemente, é de quem a assumiu. Por livre vontade. Por espontânea candidatura. Quem não tem o Poder para tomar providências, realizar, executar, limita-se ao direito - sobretudo se associado, principalmente se eleitor - de criticar, de cobrar, e de sugerir. De forma honesta e franca. Por vezes até com veemência - que é o tom natural dos que têm paixão. Que o lado pessoal, porém, não interfira nos julgamentos: nem para sermos intolerantes e severos com aqueles de quem não gostamos, nem para sermos condescendentes e omissos quando os dirigentes são nossos amigos. O bem do Náutico seja sempre a nossa motivação e a nossa medida. Desculpe o discurso, Osvaldo.. É o que ainda posso fazer nesta idade. Enquanto o "alemão" não me impuser sua inelutável censura...".

    ResponderExcluir
  3. Perfeito,Roberto.
    'Quem ama não esquece jamais',desde que não conheça os bastidores do futebol...Penso assim.

    ResponderExcluir
  4. Antonio (a caminho do sudeste...)11 de dezembro de 2014 às 16:39

    vixe... vixe...

    o querido poeta tava inspirado...

    pronto... mais uma vez...

    acharei o Dvd na prateleira e...

    e, de novo, pela enésima vez assistirei Casablanca...

    1 abraço.

    P.S. e cá entre nós... tá bem melhor assim... é bom, para nossa felicidade, darmos uma férias para os nossos queridos Náutico e Santos... hehehe

    ResponderExcluir
  5. Roberto: você foi longe... Foi até ao Aeroporto de Casablanca. E viu que a realidade no futebol não é um mar de rosas. Nascemos para sermos torcedores, Apenas torcedores, É bem melhor assim.

    ResponderExcluir
  6. Afirmam os filósofos que o amor-paixão vive da ausência. Excelente Roberto. Grande abraço. Rivaldo Mafra

    ResponderExcluir
  7. Guilherme. Pires : ainda bem que para nós, sofridos e combalidos torcedores do timba, tem estas preciosidades do Mestre dos Mestres Roberto. Pois enquanto isso, escuto no rádio, que um vice do Náutico, quer vender, arrendar determinada área do CT, e que o falastrão do Presidente, falará no conselho segunda feira, sobre um possível empréstimo de R$ 2 milhões para sanar dividas e ainda que não houve pagto a empresa queres a auditoria. Escutei isso na Rádio Folha, hj pela manhã. E cada vez mais afundam o C. N. C.

    ResponderExcluir

Comentários