14 de nov. de 2014






Por NEWTON MORAES*  


Tenho ouvido, com frequência, diretores do Náutico afirmarem que, em 2015, os erros que foram cometidos em 2014 - quando quase 50 jogadores foram contratados - não serão repetidos. Tudo será diferente, dizem, pois o time titular que disputará o campeonato pernambucano será composto, basicamente, por atletas oriundos dos juniores, sendo complementado com 3 ou 4 jogadores mais experientes. No entendimento deles, o Clube, finalmente, vai trabalhar dentro de sua realidade financeira e valorizando os garotos da Base. Os mais antigos chegam a recordar, saudosos, o extraordinário período do hexa, quando tínhamos muitos atletas de destaque que vieram das categorias inferiores. São mencionados craques consagrados como Gena, Fraga, Nado, Bita, Nino e Lala, só para citar alguns. Mas a realidade é que, no time de 1963, primeiro ano da campanha épica do hexa, apenas Nado e Bita eram titulares que foram oriundos das Divisões de Base do Náutico. Nino e Lala eram reservas de China e Rinaldo, respectivamente. Gena também compunha o grupo, mas não atuou em nenhuma partida. No ano seguinte, Nino passou a ser titular, enquanto Gena e Lala eram reservas de Nelson e Geraldo José, respectivamente. Naquele ano, Gilson Costa e Toinho - provenientes da Base - também eram integrantes da equipe titular. Em 1965, o Náutico passou a ter oito atletas que tinham começado nas categorias inferiores do Clube e jogavam como titulares, em função da permanência de Nado, Bita, Nino, Lala e Toinho e de Gena, Gilson Saraiva e Didica terem ascendido ao time titular. Ainda tínhamos na reserva, provenientes da Base, o goleiro João Adolfo e o volante Deda. O segredo do sucesso foi, portanto, o aproveitamento gradativo dos atletas formados nas Divisões de Base. Quem tiver dúvidas, deve consultar o excelente livro “O Náutico, a Bola e as Lembranças”, do Mestre Lucídio Oliveira, que reputo como o mais completo livro já escrito sobre o Clube Náutico Capibaribe e que aborda o tema de forma primorosa, sendo a fonte de onde extraí todas essas informações.  

Assim, embora o pensamento de alguns de nossos diretores possa parecer o mais racional, considero um “suicídio” enveredar por esse caminho, principalmente levando-se em consideração que a Diretoria de Base do Náutico, apesar de possuir excelentes profissionais em sua comissão técnica, não dispõe das condições mínimas necessárias para proporcionar a revelação simultânea de muitos valores, por conta das atuais dificuldades financeiras do Clube. Se for implantada essa política suicida, corremos o risco de ser rebaixado para a segunda divisão do pernambucano. A tendência é que os garotos sejam “queimados” e execrados pela torcida. Como sou colaborador da Diretoria de Base, fico à vontade para tecer tais comentários, pois tenho certeza que Ivan Brondi e os demais membros da Diretoria também comungam da mesma ideia.

Entendo que a política correta é mesclar o elenco com jogadores de qualidade e jovens promessas. Para tal, a Direção tem que canalizar todos os esforços no sentido de renovar com Paulinho e Vinícius, em minha opinião os únicos jogadores do elenco que têm uma qualidade diferenciada e que temos condições financeiras para manter. Marinho, caso o Departamento Médico avalie que é possível sanar seus problemas clínicos, também merece ficar. O goleiro Júlio César, claro, seria uma excelente contratação, mas acredito que seu salário esteja fora do alcance do que o Clube tem condições de pagar. Dependendo do valor do salário, eu renovaria com mais alguns atletas, tais como Renato Chaves, Luís Alberto e Bruno Furlan, mas não perco meu sono caso não fiquem.
Considerando que João Ananias teve seu contrato prolongado e Pedro Carmona assinou recentemente, se aliarmos criatividade e critério podemos realizar algumas boas negociações de modo a formar um time de qualidade com custo relativamente baixo. A vinda do goleiro Júlio César é um ótimo exemplo a ser seguido. É fundamental termos na equipe um goleiro confiável e um atacante finalizador, além de jogadores decisivos na bola parada. Para que seja possível baratear a Folha, o plantel pode ser composto por até 50% de jogadores que venham das categorias inferiores, mesmo sabendo que apenas 2 ou 3 estão em condições de serem titulares. Assim, não teríamos que aturar jogadores de baixa qualidade como Raí, Roberto, Rafael Cruz, Neílson, Gilmak, Tadeu, Sassá, Crislan e tantos outros que foram contratados neste ano, apesar de todas as informações negativas que se tinha a respeito deles. Sei que alguns torcedores ainda apostariam em Sassá e Crislan, mas eu não faço parte desse grupo. E não consigo entender porque Izaldo foi afastado do elenco devido a uma partida infeliz.

Falam que a ideia da Direção é ter uma folha no futebol de trezentos mil reais, no máximo. Considero muito pouco. Quatrocentos mil reais talvez seja um valor mais razoável.

Escuto dizer, também, que a Diretoria de Base terá que reduzir bastante seus gastos para se adequar à realidade do Clube. Considero isso um erro grosseiro de avaliação. É como se, por medida de economia, devêssemos tirar nossos filhos de escolas de boa qualidade para matriculá-los em outras de nível inferior.

Por fim, é fundamental que se estreitem as relações entre o Futebol Profissional, a Diretoria de Base e o Centro de Treinamento.

É o que penso. E torço muito para que Dado Cavalcanti permaneça.

Saudações alvirrubras.


*Newton Morais e Silva

Conselheiro do Náutico


8 comentários:

  1. Newton, ainda há separação entre direção de Base e CT? Pra unificar é preciso passar pelo Conselho?

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  2. Marcelo Lins diz:
    Newton Moraes, fala com propriedade, pois colabora com as divisões de base arrecadando recursos para um departamento que deveria ser bancado pelo clube na totalidade.
    Em tese essa seria a solução para o Náutico, porém para fazer dessa política algo efetivo, nesse ano deveriam ter dado prioridade a base pagando salários em dia, investindo em equipamentos de musculação e fisiologia, além de dispor de profissionais de qualidade na área de fisioterapia, nutrição, psicologia e assistência social.
    Na prática a base vive a mingua, com salários atrasados, sem investimentos e com ajudas de abnegados como Newton e Ivan Brondi.
    E a minha pergunta é a seguinte:
    Se essa era a política da atual diretoria por qual motivo não a implantou no início de 2014? De repente muda a política?
    Me parece que a gestão tão propagada fica cada vez mais no discurso....

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  3. José Geandre, são diretorias distintas que raramente se reúnem, o que considero um absurdo. Por sugestão do conselheiro Annibal Freitas que, juntamente comigo, Tullio Ponzi, Marcos Freitas e Alexandre Carneiro está colaborando com a redação de um novo Estatuto (a coordenação é do conselheiro Maurício Pina), estamos pleiteando que seja contemplada uma vice-presidência abrangendo a Base e o CT. A proposta é que esse vice-presidente tenha seu nome respaldado pelo Conselho e mandato de 4 anos.

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  4. Obg pelo retorno Newton. Não é aceitávvel que isso permaneça assim. O Executivo pode mudar independende da posição do Conselho?

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  5. Claro que sim, José Geandre. Chegou-se a programar reuniões a cada 15 dias, porém só 2 aconteceram.
    É necessário também que o treinador e diretores do profissional, sempre que possível, assista aos jogos da Base, bem como que haja treinos do profissional com a participação de atletas dos juniores. Mas, acredito que, brevemente, vamos conseguir um melhor entrosamento.

    sistemáticas

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  6. Antonio (santista, sudestino e também nordestino...)14 de novembro de 2014 às 18:36

    Caro amigo Newton,

    inúmeras vezes, aqui no blog do querido amigo Roberto, durante estes já não tão poucos anos falei, falei... falei sobre o. meu querido Santos... ah, não sobre o time, propriamente dito, mas sobre a base...

    é um sucesso o que ocorre na Baixada Santista... e não é úm mero acaso que por lá apareceram Juary, Pita, Robinho, Diego, Ganso, Neymar, etc.... são muitos mais, mas vamos exemplificar nestes tão famosos...

    é trabalho sério na base... é trabalho de longo prazo... de muitos que se dedicam ao clube...

    bem, demora, é custoso?... sim, só que depois vira uma roda...

    hoje, os garotos, os pais dos garotos, os empresários dos garotos querem ir pra base do Santos... sabem que lá terão a oportunidade de aparecerem...

    há ex-meninos santistas por todos os times do Brasil...

    o Roberto sabe disso... sempre defendi que o querido Náutico seja o Santos de todo Nordeste... não tenho dúvidas que, com o tempo, num modelo parecido com ódio meu time, os meninos da região iriam procurar o Náutico para tentarem ser jogadores...

    leva tempo, é custoso... mas dará lucro depois...

    1 abraço.

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  7. Caro Antonio, obrigado pelas palavras encorajadoras. Você está coberto de razão. Acrescento que, no caso do Náutico, o trabalho/investimento sério na Base é a única salvação que vislumbro, juntamente com uma boa negociação no arrendamento do terreno dos Aflitos.

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  8. Newton, como filha de um saudoso Alvirrubro Miguel Dhália da Silveira, só tenho a agradecer todo o empenho pelo sucesso deste time que aprendi a amar, grata Martha Silveira (marthamotas@gmail.com)

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Comentários