Por NEWTON MORAES*
Tenho
ouvido, com frequência, diretores do Náutico afirmarem que, em 2015, os erros
que foram cometidos em 2014 - quando quase 50 jogadores foram contratados - não
serão repetidos. Tudo será diferente, dizem, pois o time titular que disputará
o campeonato pernambucano será composto, basicamente, por atletas oriundos dos
juniores, sendo complementado com 3 ou 4 jogadores mais experientes. No
entendimento deles, o Clube, finalmente, vai trabalhar dentro de sua realidade
financeira e valorizando os garotos da Base. Os mais antigos chegam a recordar,
saudosos, o extraordinário período do hexa, quando tínhamos muitos atletas de
destaque que vieram das categorias inferiores. São mencionados craques
consagrados como Gena, Fraga, Nado, Bita, Nino e Lala, só para citar alguns.
Mas a realidade é que, no time de 1963, primeiro ano da campanha épica do hexa,
apenas Nado e Bita eram titulares que foram oriundos das Divisões de Base do
Náutico. Nino e Lala eram reservas de China e Rinaldo, respectivamente. Gena
também compunha o grupo, mas não atuou em nenhuma partida. No ano seguinte, Nino
passou a ser titular, enquanto Gena e Lala eram reservas de Nelson e Geraldo
José, respectivamente. Naquele ano, Gilson Costa e Toinho - provenientes da
Base - também eram integrantes da equipe titular. Em 1965, o Náutico passou a
ter oito atletas que tinham começado nas categorias inferiores do Clube e
jogavam como titulares, em função da permanência de Nado, Bita, Nino, Lala e
Toinho e de Gena, Gilson Saraiva e Didica terem ascendido ao time titular. Ainda
tínhamos na reserva, provenientes da Base, o goleiro João Adolfo e o volante
Deda. O segredo do sucesso foi, portanto, o aproveitamento gradativo dos
atletas formados nas Divisões de Base. Quem tiver dúvidas, deve consultar o excelente
livro “O Náutico, a Bola e as Lembranças”, do Mestre Lucídio Oliveira, que reputo
como o mais completo livro já escrito sobre o Clube Náutico Capibaribe e que aborda
o tema de forma primorosa, sendo a fonte de onde extraí todas essas
informações.
Assim,
embora o pensamento de alguns de nossos diretores possa parecer o mais racional,
considero um “suicídio” enveredar por esse caminho, principalmente levando-se
em consideração que a Diretoria de Base do Náutico, apesar de possuir excelentes
profissionais em sua comissão técnica, não dispõe das condições mínimas
necessárias para proporcionar a revelação simultânea de muitos valores, por
conta das atuais dificuldades financeiras do Clube. Se for implantada essa
política suicida, corremos o risco de ser rebaixado para a segunda divisão do
pernambucano. A tendência é que os garotos sejam “queimados” e execrados pela
torcida. Como sou colaborador da Diretoria de Base, fico à vontade para tecer
tais comentários, pois tenho certeza que Ivan Brondi e os demais membros da
Diretoria também comungam da mesma ideia.
Entendo
que a política correta é mesclar o elenco com jogadores de qualidade e jovens
promessas. Para tal, a Direção tem que canalizar todos os esforços no sentido
de renovar com Paulinho e Vinícius, em minha opinião os únicos jogadores do
elenco que têm uma qualidade diferenciada e que temos condições financeiras
para manter. Marinho, caso o Departamento Médico avalie que é possível sanar
seus problemas clínicos, também merece ficar. O goleiro Júlio César, claro,
seria uma excelente contratação, mas acredito que seu salário esteja fora do
alcance do que o Clube tem condições de pagar. Dependendo do valor do salário,
eu renovaria com mais alguns atletas, tais como Renato Chaves, Luís Alberto e
Bruno Furlan, mas não perco meu sono caso não fiquem.
Considerando
que João Ananias teve seu contrato prolongado e Pedro Carmona assinou
recentemente, se aliarmos criatividade e critério podemos realizar algumas boas
negociações de modo a formar um time de qualidade com custo relativamente
baixo. A vinda do goleiro Júlio César é um ótimo exemplo a ser seguido. É
fundamental termos na equipe um goleiro confiável e um atacante finalizador,
além de jogadores decisivos na bola parada. Para que seja possível baratear a
Folha, o plantel pode ser composto por até 50% de jogadores que venham das
categorias inferiores, mesmo sabendo que apenas 2 ou 3 estão em condições de serem
titulares. Assim, não teríamos que aturar jogadores de baixa qualidade como
Raí, Roberto, Rafael Cruz, Neílson, Gilmak, Tadeu, Sassá, Crislan e tantos
outros que foram contratados neste ano, apesar de todas as informações
negativas que se tinha a respeito deles. Sei que alguns torcedores ainda
apostariam em Sassá e Crislan, mas eu não faço parte desse grupo. E não consigo
entender porque Izaldo foi afastado do elenco devido a uma partida infeliz.
Falam
que a ideia da Direção é ter uma folha no futebol de trezentos mil reais, no
máximo. Considero muito pouco. Quatrocentos mil reais talvez seja um valor mais
razoável.
Escuto
dizer, também, que a Diretoria de Base terá que reduzir bastante seus gastos
para se adequar à realidade do Clube. Considero isso um erro grosseiro de
avaliação. É como se, por medida de economia, devêssemos tirar nossos filhos de
escolas de boa qualidade para matriculá-los em outras de nível inferior.
Por
fim, é fundamental que se estreitem as relações entre o Futebol Profissional, a
Diretoria de Base e o Centro de Treinamento.
É
o que penso. E torço muito para que Dado Cavalcanti permaneça.
Saudações
alvirrubras.
*Newton Morais e Silva
Conselheiro do Náutico

Newton, ainda há separação entre direção de Base e CT? Pra unificar é preciso passar pelo Conselho?
ResponderExcluirMarcelo Lins diz:
ResponderExcluirNewton Moraes, fala com propriedade, pois colabora com as divisões de base arrecadando recursos para um departamento que deveria ser bancado pelo clube na totalidade.
Em tese essa seria a solução para o Náutico, porém para fazer dessa política algo efetivo, nesse ano deveriam ter dado prioridade a base pagando salários em dia, investindo em equipamentos de musculação e fisiologia, além de dispor de profissionais de qualidade na área de fisioterapia, nutrição, psicologia e assistência social.
Na prática a base vive a mingua, com salários atrasados, sem investimentos e com ajudas de abnegados como Newton e Ivan Brondi.
E a minha pergunta é a seguinte:
Se essa era a política da atual diretoria por qual motivo não a implantou no início de 2014? De repente muda a política?
Me parece que a gestão tão propagada fica cada vez mais no discurso....
José Geandre, são diretorias distintas que raramente se reúnem, o que considero um absurdo. Por sugestão do conselheiro Annibal Freitas que, juntamente comigo, Tullio Ponzi, Marcos Freitas e Alexandre Carneiro está colaborando com a redação de um novo Estatuto (a coordenação é do conselheiro Maurício Pina), estamos pleiteando que seja contemplada uma vice-presidência abrangendo a Base e o CT. A proposta é que esse vice-presidente tenha seu nome respaldado pelo Conselho e mandato de 4 anos.
ResponderExcluirObg pelo retorno Newton. Não é aceitávvel que isso permaneça assim. O Executivo pode mudar independende da posição do Conselho?
ResponderExcluirClaro que sim, José Geandre. Chegou-se a programar reuniões a cada 15 dias, porém só 2 aconteceram.
ResponderExcluirÉ necessário também que o treinador e diretores do profissional, sempre que possível, assista aos jogos da Base, bem como que haja treinos do profissional com a participação de atletas dos juniores. Mas, acredito que, brevemente, vamos conseguir um melhor entrosamento.
sistemáticas
Caro amigo Newton,
ResponderExcluirinúmeras vezes, aqui no blog do querido amigo Roberto, durante estes já não tão poucos anos falei, falei... falei sobre o. meu querido Santos... ah, não sobre o time, propriamente dito, mas sobre a base...
é um sucesso o que ocorre na Baixada Santista... e não é úm mero acaso que por lá apareceram Juary, Pita, Robinho, Diego, Ganso, Neymar, etc.... são muitos mais, mas vamos exemplificar nestes tão famosos...
é trabalho sério na base... é trabalho de longo prazo... de muitos que se dedicam ao clube...
bem, demora, é custoso?... sim, só que depois vira uma roda...
hoje, os garotos, os pais dos garotos, os empresários dos garotos querem ir pra base do Santos... sabem que lá terão a oportunidade de aparecerem...
há ex-meninos santistas por todos os times do Brasil...
o Roberto sabe disso... sempre defendi que o querido Náutico seja o Santos de todo Nordeste... não tenho dúvidas que, com o tempo, num modelo parecido com ódio meu time, os meninos da região iriam procurar o Náutico para tentarem ser jogadores...
leva tempo, é custoso... mas dará lucro depois...
1 abraço.
Caro Antonio, obrigado pelas palavras encorajadoras. Você está coberto de razão. Acrescento que, no caso do Náutico, o trabalho/investimento sério na Base é a única salvação que vislumbro, juntamente com uma boa negociação no arrendamento do terreno dos Aflitos.
ResponderExcluirNewton, como filha de um saudoso Alvirrubro Miguel Dhália da Silveira, só tenho a agradecer todo o empenho pelo sucesso deste time que aprendi a amar, grata Martha Silveira (marthamotas@gmail.com)
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