No dia 12 de novembro de 1914, partia o poeta maior da Paraíba, Augusto dos Anjos. A poesia abaixo também é dedicada ao acadêmico paraibano Wellington Aguiar, grande memorialista da literatura de nosso estado vizinho. Um estado com Augusto e Wellington é uma terra que ama e respeita os livros...
Por ROBERTO VIEIRA
Leopoldina, Minas Gerais,
terra distante do meu pé de tamarindo,
terra onde agora me findo,
lembrando do que não sou mais.
Breve, larvas dissolverão meu corpo putrefato,
transformado em antepasto plácido,
aos sabores da natureza amônia,
insônia, nunca mais...
Decerto, Esther me deitará em lágrimas,
noites e dias sem mim,
porém, mesmo tais dias e noites terão fim,
um fim previsível como a amizade do cianureto e metais.
Hipóxia histotóxica seria antológica na memória filosofal,
mas é esta bactéria habitante de meus brônquios quem sibila,
morte, morte afinal meu bardo, triunfal,
herdeiro de nada e padrasto da sílaba trágica e única filha.
Nada me resta senão a memória de criança na Paraíba natal,
anjo apenas no nome e augusto no desejo patriarcal,
nenhuma alegria de anéis beta-lactâmicos podem me salvar,
mas a vida de um poeta estará sempre contida nas palavras escritas,
no verso que não hesitou em soletrar...

Faço questão de registrar o meu aplauso.Como calar diante de poema tão belo !
ResponderExcluirSalvo se se tratar do silêncio reverencial daqueles a quem a emoção deixa mudos...